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veto da UE, impasse no Mercosul, pressão industrial e tributação do petróleo em pauta
UE suspende carnes do Brasil, Mercosul trava cota, indústria cai 1,1% e imposto de 12% sobre petróleo é prorrogado por mais 60 dias.
A União Europeia formalizou nesta quinta-feira (3) a suspensão das importações de produtos de origem animal do Brasil. A restrição atinge carne bovina, aves, ovos, mel e pescados, segmentos que representaram mais de 713 milhões de euros nas exportações brasileiras ao bloco em 2025, quando o Brasil era o segundo maior fornecedor de carne bovina à UE. Para aves e mel, uma auditoria prevista para encerrar nesta semana pode destravar o acesso em poucas semanas. A carne bovina, com ciclo de produção mais longo, deve levar mais tempo para ser readmitida.
A indústria de transformação brasileira encerrou o segundo trimestre de 2026 em retração pelo quinto ano em sete. O PIB do setor caiu 0,4% no período, acumulando queda de 1,1% nos últimos quatro trimestres, pressionado por juros elevados e pelo avanço de 16% nas importações de bens de consumo no primeiro semestre de 2026 ante o mesmo período de 2025. A demanda por produtos nacionais caiu 1,2% em 12 meses até maio, enquanto a por importados cresceu 2,6% no mesmo intervalo.
O governo prorrogou nesta quinta-feira (3) por mais 60 dias a cobrança do imposto de 12% sobre a exportação de petróleo, com vigência a partir de 8 de setembro. A medida, em vigor desde março de 2026, já arrecadou R$ 7,9 bilhões e foi publicada no Diário Oficial após o Tribunal Regional Federal da 1ª Região derrubar a liminar que havia suspendido a cobrança. O objetivo declarado é proteger o consumidor brasileiro da volatilidade dos combustíveis gerada pelo conflito no Oriente Médio.
Os chanceleres do Mercosul encerraram nesta quarta-feira (2) uma reunião em Montevidéu sem acordo sobre como dividir a cota de 99 mil toneladas de carne bovina por ano, com tarifa de 7,5%, prevista no acordo com a União Europeia. O principal entrave é o Paraguai, que defende 25% iguais por país, enquanto Brasil, Argentina e Uruguai defendem distribuição proporcional ao histórico de exportações. Sem acordo, as cotas continuam sendo preenchidas por ordem de chegada, e o Brasil ainda não pode utilizá-las por estar suspenso pelo bloco.