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Insight

Tarifaço dos EUA derruba quase pela metade as exportações de madeira e móveis do Brasil

Exportações de madeira e móveis do Brasil para os EUA caem 47,69% após tarifaço da Seção 301. Entenda

29 de julho de 2026

Tarifaço dos EUA derruba quase pela metade as exportações de madeira e móveis do Brasil

As exportações brasileiras de madeira e móveis (NCM 4407, 4409, 4412, 4418.75, 9403.60.00) para os EUA caíram 47,69% entre jan-jul/2025 e jan-jul/2026 (US$ 679,37 mi → US$ 355,36 mi), segundo o ComexStat/MDIC. O período coincide com duas sobretaxas dos EUA (25% e 12,5%, Seção 301), confirmadamente aplicadas a móveis e molduras de pinus — mas com exceções para madeira tropical, compensados e pisos ainda não totalmente mapeadas. Paraná, SC e RS concentraram 96,64% das perdas.

O que mudou na política tarifária dos EUA

O recuo não é um efeito isolado de mercado — ele coincide com duas medidas comerciais americanas publicadas em julho de 2026, ambas amparadas na Seção 301 da legislação comercial dos EUA:

  • Uma sobretaxa de 25% decorrente de investigação específica sobre o Brasil, com lista própria de produtos excepcionados;

  • Uma sobretaxa de 12,5% decorrente de investigação sobre trabalho forçado em cadeias de suprimento, aplicada a 41 países (entre eles o Brasil).

As duas medidas entraram em vigor em 22 de julho de 2026 e podem ser cumulativas quando um produto se enquadra nas duas investigações — nesses casos, a alíquota adicional chega a 37,5%. Cargas já embarcadas antes de 22 de julho e que chegassem aos EUA até 29 de julho ficaram fora da nova cobrança.

Para móveis e para produtos industriais de madeira não listados nas exceções, a cobrança de 25% é confirmada. Por isso, aqui tratamos a nova tarifa como fator confirmado para móveis (NCM 9403.60.00) e perfis/molduras de coníferas (NCM 4409, majoritariamente pinus) — e como um fator provável, mas não confirmado produto a produto, para madeira serrada (NCM 4407), compensados (NCM 4412) e pisos (NCM 4418.75), cuja exposição depende da espécie e do enquadramento tarifário específico de cada código.

O tombo nos EUA, grupo por grupo

No agregado dos cinco grupos analisados, o faturamento das exportações brasileiras para os EUA caiu de US$ 679.374.040 (jan-jul/2025) para US$ 355.356.799 (jan-jul/2026) — queda de 47,69%. O total exportado pelo Brasil nesses mesmos grupos, para todos os destinos, recuou de forma bem mais branda: -25,38% (de US$ 1.466.097.905 para US$ 1.093.952.285). Isso mostra que a perda de mercado nos EUA foi quase o dobro, em termos relativos, da retração global do setor.

Categoria / NCMBrasil Total 2025Brasil Total 2026Var. TotalEUA 2025EUA 2026Var. EUAShare EUA 2025Share EUA 2026
4409 — Perfis e moldurasUS$ 318,21 miUS$ 196,70 mi-38,18%US$ 252,61 miUS$ 116,78 mi-53,77%79,39%59,37%
4407 — Madeira serradaUS$ 493,01 miUS$ 434,20 mi-11,93%US$ 185,45 miUS$ 97,33 mi-47,51%37,61%22,42%
4412 — CompensadosUS$ 515,65 miUS$ 363,03 mi-29,60%US$ 187,82 miUS$ 115,57 mi-38,47%36,42%31,83%
4418.75 — Pisos/painéisUS$ 5,35 miUS$ 1,64 mi-69,41%US$ 4,92 miUS$ 1,18 mi-76,07%91,94%71,94%
9403.60.00 — Móveis de madeiraUS$ 133,87 miUS$ 98,38 mi-26,51%US$ 48,58 miUS$ 24,50 mi-49,56%36,29%24,91%
Total agregadoUS$ 1.466,10 miUS$ 1.093,95 mi-25,38%US$ 679,37 miUS$ 355,36 mi-47,69%46,34%32,48%

O padrão é claro: quanto maior o valor agregado do produto, mais forte o choque. Pisos e painéis multicamadas (NCM 4418.75) e perfis/molduras (NCM 4409) tiveram as maiores quedas, -76,07% e -53,77% respectivamente.

Madeira serrada (NCM 4407): EUA perde espaço, México e Espanha ganham

A queda global de 11,93% do grupo escondeu uma dinâmica bem mais dura no mercado americano: -47,51%, de US$ 185,45 milhões para US$ 97,33 milhões. A fatia dos EUA nessa NCM caiu de 37,61% para 22,42%.

Destino202522026VariaçãoShare 20255Share 2026
Estados UnidosUS$ 185,45 miUS$ 97,33 mi-47,51%37,61%22,42%
MéxicoUS$ 73,40 miUS$ 78,91 mi+7,49%14,89%18,17%
VietnãUS$ 28,37 miUS$ 26,61 mi-6,20%5,76%6,13%
Arábia SauditaUS$ 34,06 miUS$ 25,30 mi-25,73%6,91%5,83%
EspanhaUS$ 9,73 miUS$ 23,59 mi+142,51%1,97%5,43%
ChinaUS$ 30,30 miUS$ 19,35 mi-36,14%6,14%4,46%

México consolidou-se como segundo maior destino e a Espanha deu um salto de 142,51% — mas quedas simultâneas na China (-36,14%) e na Arábia Saudita (-25,73%) impediram que a diversificação compensasse a perda americana.

Por estado, para os EUA: Santa Catarina caiu 50,17% (US$ 69,64 mi → US$ 34,70 mi), Rio Grande do Sul recuou 49,03% (US$ 68,35 mi → US$ 34,84 mi), Paraná caiu 55,32% (US$ 31,69 mi → US$ 14,16 mi). O Pará foi o mais resiliente: -10,07% (US$ 4,98 mi → US$ 4,48 mi).

Perfis e molduras (NCM 4409): o mais dependente dos EUA, o mais castigado

Este foi o grupo com o impacto mais severo em termos absolutos. A receita nos EUA desabou 53,77% — de US$ 252,61 milhões para US$ 116,78 milhões, uma perda direta de US$ 135,83 milhões. A dependência americana, que era de 79,39% em 2025, caiu para 59,37%.

Destino120252026VariaçãoShare 2025Share 2026
Estados UnidosUS$ 252,61 miUS$ 116,78 mi-53,77%79,39%59,37%
FrançaUS$ 14,74 miUS$ 22,92 mi+55,51%4,63%11,65%
DinamarcaUS$ 8,10 miUS$ 10,25 mi+26,60%2,55%5,21%
Países BaixosUS$ 8,22 miUS$ 9,14 mi+11,15%2,58%4,64%
PortugalUS$ 2,88 miUS$ 4,19 mi+45,35%0,91%2,13%

A Europa Ocidental ampliou as compras (França +55,51%, Portugal +45,35%), mas os US$ 53,48 milhões somados por esses mercados representam menos da metade da perda sofrida só nos EUA.

Por estado: Paraná foi o epicentro, com queda de 72,89% (US$ 123,53 mi → US$ 33,49 mi) — o pior desempenho estadual de todo o levantamento.

No Paraná, 95,6% dessas vendas para os EUA em 2025 eram de madeira de coníferas (NCM 44091000, pinus) — a linha que mais sofreu.

Santa Catarina recuou 54,09% (US$ 66,22 mi → US$ 30,40 mi).

Já o Pará foi na contramão, com alta de 13,78% (US$ 35,02 mi → US$ 39,85 mi); no estado, 100% das vendas para os EUA nessa NCM são de madeiras tropicais (NCM 44092200 e 44092900), não de coníferas

Compensados (NCM 4412): duplo golpe — EUA e desaceleração na Europa

As exportações para os EUA caíram 38,47% (US$ 187,82 mi → US$ 115,57 mi), levando a fatia americana de 36,42% para 31,83%.

Destino20252026VariaçãoShare 2025Share 2026
Estados UnidosUS$ 187,82 miUS$ 115,57 mi-38,47%36,42%31,83%
AlemanhaUS$ 44,38 miUS$ 32,07 mi-27,73%8,61%8,84%
MéxicoUS$ 24,26 miUS$ 29,14 mi+20,11%4,71%8,03%
Reino UnidoUS$ 35,80 miUS$ 23,32 mi-34,87%6,94%6,42%
BélgicaUS$ 30,44 miUS$ 12,25 mi-59,75%5,90%3,37%

Diferente dos outros grupos, aqui o problema não é só americano: a desaceleração da construção civil europeia também derrubou embarques para Alemanha, Reino Unido e Bélgica. O México segue como principal rota de escape, com alta de 20,11%.

Por estado, para os EUA: Paraná caiu 36,33% (US$ 119,77 mi → US$ 76,26 mi), Santa Catarina recuou 42,41% (US$ 64,73 mi → US$ 37,28 mi) e Rondônia caiu 34,82% (US$ 3,05 mi → US$ 1,99 mi).

Pisos e painéis (NCM 4418.75): o grupo mais concentrado nos EUA

Esta é a linha mais concentrada nos EUA de todo o levantamento — 91,94% da pauta em 2025.

Os embarques para lá caíram 76,07% (US$ 4,92 mi → US$ 1,18 mi), e o total global do grupo encolheu 69,41% (US$ 5,35 mi → US$ 1,64 mi).

O Paraná, principal exportador desse grupo, sofreu queda de 77,97% (US$ 4,92 mi → US$ 1,08 mi).

Móveis de madeira (NCM 9403.60.00): Mercosul absorve parte da perda

O faturamento global do grupo caiu 26,51% (US$ 133,87 mi → US$ 98,38 mi). Nos EUA, a queda foi de 49,56% (US$ 48,58 mi → US$ 24,50 mi), derrubando a fatia americana de 36,29% para 24,91%.

Destino20252026VariaçãoShare 2025Share 2026
Estados UnidosUS$ 48,58 miUS$ 24,50 mi-49,56%36,29%24,91%
UruguaiUS$ 6,84 miUS$ 7,26 mi+6,18%5,11%7,38%
ArgentinaUS$ 3,63 miUS$ 5,55 mi+52,96%2,71%5,64%
PeruUS$ 3,82 miUS$ 4,97 mi+30,32%2,85%5,05%

Uruguai, Argentina e Peru somados absorveram US$ 17,79 milhões em 2026 — 18,08% do total exportado pelo país nesta NCM, mostrando um redirecionamento ativo para o Mercosul e vizinhos sul-americanos.

Por estado, para os EUA: Santa Catarina caiu 52,54% (US$ 33,43 mi → US$ 15,87 mi), São Paulo recuou 30,97% (US$ 9,06 mi → US$ 6,26 mi) e Rio Grande do Sul desabou 64,48% (US$ 4,31 mi → US$ 1,53 mi).

Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul

Somando os cinco grupos tarifários, a Região Sul concentrou 96,64% de toda a perda financeira do setor com os EUA entre jan-jul/2025 e jan-jul/2026.

Estado20252026Variação absolutaVariação %Peso na perda total
ParanáUS$ 281,11 miUS$ 125,33 mi-US$ 155,78 mi-55,42%48,08%
Santa CatarinaUS$ 234,02 miUS$ 118,25 mi-US$ 115,77 mi-49,47%35,73%
Rio Grande do SulUS$ 77,97 miUS$ 36,37 mi-US$ 41,59 mi-53,35%12,84%
São PauloUS$ 14,92 miUS$ 9,86 mi-US$ 5,06 mi-33,94%1,56%
Mato GrossoUS$ 9,82 miUS$ 4,90 mi-US$ 4,93 mi-50,13%1,52%
RondôniaUS$ 16,12 miUS$ 13,38 mi-US$ 2,73 mi-16,97%0,84%
ParáUS$ 40,14 miUS$ 44,36 mi+US$ 4,21 mi+10,49%crescimento

O Paraná sozinho respondeu por quase metade da perda, puxado pela queda simultânea em perfis/molduras (-72,89%), compensados (-36,33%) e pisos (-77,97%). Santa Catarina combinou retração em serrados (-50,17%), compensados (-42,41%) e móveis (-52,54%). O Pará foi o único estado com saldo positivo no período.

Os mercados alternativos

Somando os dez maiores incrementos absolutos fora dos EUA, o total chega a US$ 52,73 milhões — o suficiente para compensar apenas 16,27% dos US$ 324,02 milhões perdidos no mercado americano.

Destino20252026Variação absolutaVariação %
EspanhaUS$ 23,72 miUS$ 32,72 mi+US$ 9,00 mi+37,92%
UruguaiUS$ 10,77 miUS$ 18,99 mi+US$ 8,21 mi+76,22%
MéxicoUS$ 102,59 miUS$ 110,14 mi+US$ 7,55 mi+7,36%
ItáliaUS$ 38,23 miUS$ 45,15 mi+US$ 6,92 mi+18,10%
FrançaUS$ 30,94 miUS$ 36,25 mi+US$ 5,31 mi+17,17%

Nenhum país ou bloco tem, hoje, escala de consumo para substituir os EUA na pauta exportadora de madeira processada do Brasil no curto prazo.

O que o setor pode fazer agora

Com a tarifa de 25% (mais 12,5% em produtos enquadrados nas duas investigações da Seção 301) já confirmada para móveis e molduras de pinus — e ainda incerta, produto a produto, para serrados, compensados e pisos —, três frentes se destacam a partir dos dados deste levantamento:

Redirecionamento para o Mercosul e Europa Ocidental, aproveitando o crescimento já observado em Uruguai, Argentina, Peru, Espanha e França — ainda insuficiente em escala, mas em expansão;

  • Revisão de contratos e Incoterms, migrando de FOB para modelos como DDP em clientes estratégicos, para reter margem operacional diante do encarecimento do custo desembarcado;

  • Atenção ao mix de produtos, já que o Pará foi o único estado exportador com saldo positivo nas vendas para os EUA no período analisado — um dado que vale investigar caso a caso antes de generalizar como tendência.

Perguntas frequentes

Por que as exportações de madeira e móveis do Brasil para os EUA caíram tanto em 2026?
A queda de 47,69% (jan-jul/2025 vs. jan-jul/2026) coincide com a entrada em vigor, em 22 de julho de 2026, de duas sobretaxas americanas baseadas na Seção 301 (25% e 12,5%). A tarifa é confirmadamente aplicada a móveis e a molduras de pinus; para madeira serrada, compensados e pisos, existem exceções específicas por espécie que não conseguimos confirmar produto a produto.
As duas tarifas se somam?
Sim, quando um produto se enquadra nas duas investigações da Seção 301, as alíquotas se acumulam, podendo chegar a 37,5%.
Qual estado brasileiro perdeu mais com o tarifaço?
O Paraná, com US$ 155,78 milhões em perdas (-55,42%) — quase metade de toda a perda financeira do setor com os EUA no período.
Algum mercado conseguiu compensar a queda nos EUA?
Não integralmente. México, Espanha, Uruguai, Itália e França cresceram, mas juntos absorvem apenas cerca de 16% do valor perdido no mercado americano.