Insight
OMC sobe projeção com IA, carros chineses dominam 55% das importações e soja perde fôlego na China
OMC dobra previsão para 3,9% com IA. Carros chineses já respondem por 55% das importações e 11,3% do mercado. China vai desacelerar compras de soja até…
A Organização Mundial do Comércio mais que dobrou sua projeção para o crescimento do comércio global de mercadorias em 2026, de 1,9% para 3,9%, em relatório divulgado nesta quinta-feira (8). O forte e inesperado salto nos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial foi o principal fator da revisão, ao compensar o impacto do conflito no Oriente Médio sobre energia e fertilizantes. Para 2027, a estimativa subiu de 2,9% para 4,1%, mas está condicionada a uma resolução rápida do conflito geopolítico em curso.
A indústria automobilística brasileira caminha para o maior volume de vendas em 12 anos, com projeção revisada para 3,1 milhões de veículos emplacados em 2026 (+15,2%). Setembro registrou 281,4 mil emplacamentos, o melhor resultado mensal desde 2014, mas o crescimento interno contrasta com importações avançando 30,4% no ano, sendo 55% de origem chinesa, e exportações previstas para cair 17,7%, afetadas pela retração do mercado argentino. O saldo comercial do setor reverteu de superávit para déficit em 2026.
A China deve se manter como principal compradora da soja brasileira, mas sem o mesmo ritmo de expansão da última década. Estudo projetou as importações chinesas entre 92 e 118 milhões de toneladas em 2030, praticamente estável em relação ao nível atual, à medida que o país reduz a participação do farelo de soja na ração animal, de 17,9% em 2017 para meta de 10% até 2030. O Brasil, responsável por 70% das compras chinesas, mantém relevância, mas pode perder o mercado como vetor de expansão contínua da demanda.