Insight
Novos acordos, tarifas em queda e trigo: o que está movimentando o comércio exterior
Acordos Mercosul-UE e Mercosul-EFTA avançam, EUA e China aliviam tarifas e Brasil pode importar até 10 milhões de toneladas de trigo.
Os quatro primeiros meses de vigência do acordo Mercosul-União Europeia geraram a maior corrente de comércio bilateral da série histórica para o período. De maio a agosto de 2026, as trocas entre Brasil e UE somaram US$ 38,9 bilhões, com exportações brasileiras crescendo 23,5%, para US$ 20,4 bilhões, e o Brasil revertendo o déficit do ano anterior para um superávit de US$ 1,9 bilhão. O acordo, em vigor desde 1º de maio de forma provisória, conecta mercados com PIB combinado de US$ 22 trilhões.
O Brasil formalizou na última sexta-feira (25) a internalização do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio, publicado no Decreto Presidencial nº 13.126. O tratado, que entra em vigor em 1º de outubro de 2026, contempla Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça e prevê redução de barreiras técnicas, facilidades aduaneiras e maior acesso a compras governamentais. O acordo foi assinado em setembro de 2025, aprovado pelo Congresso em junho e ratificado em julho.
Estados Unidos e China divulgaram no último domingo (27) listas de produtos que passarão a receber tratamento tarifário mais favorável, dando novo passo para reduzir atritos comerciais. O marco chamado '30 por 30' cobre US$ 30 bilhões em importações de cada lado, com mais de 90% dos itens revertendo à alíquota de nação mais favorecida, da agricultura a dispositivos médicos. O acordo é operado pelo Conselho de Comércio criado após o encontro presidencial em Pequim em maio, com um Grupo de Trabalho de Agricultura previsto para se reunir até o fim de 2026.
O Brasil pode precisar importar até 10 milhões de toneladas de trigo na safra 2026/27, volume inédito para o país, conforme avaliação apresentada no Encontro da Cadeia do Trigo de São Paulo. A produção doméstica está estimada em 5,545 milhões de toneladas (-31,7% ante a safra anterior), e o desafio declarado pelo setor não é a disponibilidade do cereal, mas a logística. 'Como que a gente descarrega 10 milhões de toneladas?', questionou o setor. A demanda concentrada pressionará os mesmos portos e transportes já disputados pela soja e pelo milho.