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Insight

Nova aliança Índia-Nova Zelândia, China recua importação de soja, América Latina como polo de petróleo e R$ 3bi em investimentos em portos no Sul

O acordo de livre comércio entre a Índia e a Nova Zelândia entra em vigor no dia 20 de outubro, após a ratificação do texto assinado em abril por ambos…

21 de setembro de 2026

Nova aliança Índia-Nova Zelândia, China recua importação de soja, América Latina como polo de petróleo e R$ 3bi em investimentos em portos no Sul

O acordo de livre comércio entre a Índia e a Nova Zelândia entra em vigor no dia 20 de outubro, após a ratificação do texto assinado em abril por ambos os países. O tratado elimina tarifas sobre 95% das exportações neozelandesas à Índia, incluindo frutas, carne, lã, carvão e madeira, e inclui o compromisso de investimentos de US$20 bilhões da Nova Zelândia no mercado indiano. O acordo é mais um passo da Índia para diversificar parceiros comerciais enquanto enfrenta tarifas de 50% dos EUA sobre suas exportações.

O Sistema Indústria e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços assinaram na última quarta-feira (16) em Brasília um acordo de cooperação técnica com vigência de dois anos. O documento prevê ações coordenadas de aceleração das exportações, diversificação de mercados, defesa comercial e internacionalização de empresas, com foco em preparar o setor produtivo para um cenário de crescente fragmentação do comércio global. A parceria com a agência federal de promoção de exportações e investimentos foi renovada na mesma ocasião.

As importações chinesas de soja recuaram 1,1% em agosto ante o mesmo mês de 2025, para 12,14 milhões de toneladas, mas cresceram no acumulado do ano. Entre janeiro e agosto, a China importou 74,11 milhões de toneladas (+1,1%), com compras do Brasil avançando 5%, para 55,14 milhões de toneladas, enquanto as importações americanas caíram 34%. A China intensificou compras de soja americana antes de visita presidencial a Washington, levando o setor a reduzir em 400 mil toneladas a projeção de exportação brasileira para 2026.

A América Latina consolida sua posição como principal alternativa atlântica ao petróleo do Oriente Médio, com Brasil, Guiana e Argentina liderando a expansão regional. A região concentrou 40% dos negócios globais de fusões e aquisições em exploração e produção de petróleo em 2026, movimentando US$ 19,1 bilhões, com a China respondendo por 31% das importações regionais do produto. A restrição no Estreito de Ormuz acelerou o interesse das grandes companhias globais por ativos no hemisfério ocidental.

O crescimento das exportações do agronegócio estimula uma onda de investimentos na infraestrutura portuária da Região Sul. Expansões em Paranaguá, retomada de operações em São Francisco do Sul e um novo terminal de R$ 3 bilhões planejado para Itapoá fazem parte de um ciclo de aportes impulsionado pelo aumento nos embarques de carnes e derivados de soja. O gargalo já não é a capacidade dos terminais: é a disponibilidade de navios e o custo do frete marítimo, que permanece em patamares elevados.