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Insight

Importações de robôs proibidas, trens taxados a 30% e salvaguardas no Mercosul-UE: o que aconteceu no Comex

Mercosul-UE abre 39% do agro com salvaguardas, fretes sobem 400%, EUA proíbem robôs estrangeiros e Brasil taxa trens de passageiros em 30%.

03 de agosto de 2026

Importações de robôs proibidas, trens taxados a 30% e salvaguardas no Mercosul-UE: o que aconteceu no Comex

O acordo Mercosul-União Europeia combina abertura gradual com mecanismos de proteção ao agro. Já no primeiro ano de vigência, 39% dos produtos agropecuários brasileiros exportados à UE passam a ter tarifa zero, mas as salvaguardas preveem acionamento automático quando importações crescem mais de 5% ou os preços caem ao menos 5% ante o mercado europeu. Produtos sensíveis seguem com cotas tarifárias. O acordo ainda aguarda aprovação pelo Parlamento Europeu para entrada em vigor definitiva.

Exportadores brasileiros enfrentam uma armadilha de dois lados. De um lado, as tarifas de 25% dos EUA forçam o redirecionamento de cargas para rotas mais longas e mais caras. Do outro, o fechamento do Estreito de Ormuz e a ameaça ao Estreito de Bab el-Mandeb bloqueiam corredores estratégicos de energia e insumos, elevando fretes em até 400% desde janeiro. A pressão simultânea sobre as duas pontas, custo de acesso ao mercado americano e custo de transporte global, restringe margem e competitividade.

Os EUA proibiram a importação de robôs avançados e inversores de energia estrangeiros, em medida voltada ao principal produtor mundial desses equipamentos. A decisão cita riscos inaceitáveis à segurança nacional: robôs coletam dados que podem ser usados para espionagem e inversores conectados podem ser desligados remotamente para interromper o fornecimento de energia. Analistas avaliam que o impacto sobre o país-alvo será limitado, dada a ampla base de consumo interno e a diversificação de destinos de exportação.

O governo brasileiro elevou o imposto de importação de trens de passageiros de 20% para 30%. A decisão, tomada pela Camex a pedido da indústria ferroviária nacional, entra em vigor em 120 dias após publicação no Diário Oficial e tem prazo indeterminado. A medida atende em parte o pleito do setor, que convive com concorrência de fabricantes estrangeiros, incluindo um produtor asiático que inaugurou uma fábrica no interior de São Paulo em março de 2026.