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Incêndio em navio na China, portos congestionados e guerra comercial
Incêndio em porto chinês, queda do minério, congestionamento na Índia e novas restrições dos EUA ao Canadá movimentam o comércio exterior.
Um incêndio destruiu um navio de carga estrangeiro atracado para manutenção no estaleiro de Qingdao, na província de Shandong, no leste da China, nesta quinta-feira (10). Das 42 pessoas a bordo, 20 foram encontradas sem vida e outras cinco estão desaparecidas, segundo a imprensa estatal chinesa. O fogo, iniciado às 11h15 (hora local), foi controlado cerca de 3 horas depois. Qingdao é um dos portos mais movimentados do mundo e principal hub de exportação de manufaturados chineses, com impacto direto no abastecimento de produtos importados para o Brasil.
O minério de ferro recuou nesta quarta-feira (9), encerrando uma sequência de quatro pregões de alta. O contrato mais negociado na bolsa de Dalian caiu 0,27%, para 738 yuans (US$ 110,03) por tonelada, pressionado pela decisão de siderúrgicas de Sichuan de reduzir a produção em até 680 mil toneladas entre setembro e dezembro, somada à pressão de importações de agosto acima do esperado. Analistas apontam que o excesso de oferta deve manter as cotações pressionadas no médio prazo.
A Argélia acelerou o avanço do megaprojeto do Porto El Hamdania, na costa mediterrânea, com prazo de dois meses para início efetivo das obras. O porto, orçado em US$ 4,7 bilhões e construído em parceria com estatais chinesas, integra um corredor logístico que inclui ferrovia de mineração de 950 quilômetros concluída em fevereiro, conectando o interior do país a uma das maiores reservas de minério de ferro não exploradas do mundo. O projeto posiciona a China como construtora da infraestrutura de escoamento do minério africano para o Mediterrâneo.
A antecipação agressiva de compras de óleos vegetais pela Índia gerou congestionamento nos principais portos do país. Os atrasos no descarregamento chegam a 10 dias nos terminais de Kandla e Haldia, onde os tanques em terra estão cheios após importações de agosto atingirem 1,54 milhão de toneladas, maior volume em 11 meses. A expectativa é de que as refinarias reduzam compras para outubro a dezembro, o que pode pressionar estoques de óleo de soja nos países exportadores, incluindo o Brasil, e pesar sobre os contratos futuros da commodity.
Os EUA escalaram a disputa com o Canadá de tarifas para proibições diretas de importação. A partir de 29 de setembro, bebidas alcoólicas, laticínios e motocicletas canadenses ficam totalmente vetados ao mercado americano, em resposta às tarifas retaliatórias de 15% a 50% que o Canadá ativou nesta terça-feira sobre US$ 20 bilhões em produtos americanos. A medida coloca em risco a viabilidade do acordo comercial trilateral entre EUA, México e Canadá, vigente desde 2020.