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Enquanto fertilizantes recuam, diesel e carne ganham protagonismo no comércio exterior
Fertilizantes, diesel, carne bovina e novos investimentos portuários movimentam o comércio exterior brasileiro em 2026. Veja os impactos.
A principal refinadora de combustíveis do Brasil já garantiu 650 milhões de litros de diesel importado para outubro, o mês de maior pressão sazonal pelo produto no país. O anúncio coincide com a parada programada de uma das maiores refinarias nacionais, que retorna em novembro, e com a adesão da estatal a um novo subsídio de R$ 1,00 por litro de diesel rodoviário, instituído por medida provisória em 11 de setembro. Para novembro, a empresa não prevê necessidade de volumes adicionais de importação.
A importação de fertilizantes no Brasil deve recuar mais de 10% em 2026, voltando ao patamar de 2023, mesmo com a expansão da área cultivada. A projeção é de 40 a 41 milhões de toneladas importadas no ano, ante o recorde de 45,5 milhões de 2025, numa reversão explicada pela alta dos preços internacionais dos insumos, que forçou produtores a racionalizar a aplicação de adubos. A área plantada deve crescer para 85 milhões de hectares no ciclo 2026/27, e 80% a 85% dos fertilizantes consumidos no Brasil são importados.
O Uruguai autorizou o Brasil a utilizar o excedente de sua cota de exportação de carne bovina para a China em 2026, anunciado à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova York. Cerca de 80 mil toneladas poderiam ser repassadas ao Brasil, que esgotou sua própria cota de 1,106 milhão de toneladas e enfrenta tarifa de 67% sobre qualquer volume adicional. A transferência ainda depende de aprovação da China, que administra as cotas e até agora negou pedidos semelhantes. A negociação pode envolver a cessão da cota brasileira no Mercosul-UE ao Uruguai em contrapartida.
Uma das mais tradicionais operadoras portuárias do Paraná colocou em operação em julho o Terminal Cais Oeste, novo ativo de exportação de grãos no Porto de Paranaguá. O investimento de R$300 milhões amplia a capacidade anual em 2 milhões de toneladas, sustentado por captação de R$400 milhões em debêntures, a primeira da companhia em 162 anos de história. Em 2026, a operadora projeta movimentar 8 a 10 milhões de toneladas de fertilizantes, o equivalente a 25% de todo o volume importado pelo Brasil.