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Comércio global sob pressão: Brasil amplia mercados, mas enfrenta novos riscos
Comércio global sob pressão: OMC alerta para riscos, enquanto Brasil amplia mercados, fortalece Santos e enfrenta custos maiores nas exportações.
O Relatório sobre o Comércio Mundial 2026, divulgado nesta terça-feira (15) pela OMC, quantifica o custo da inação: sem reformas no sistema multilateral, o PIB global pode recuar 5,1% e as exportações 18,6% até 2050. Com o fortalecimento do multilateralismo, o cenário oposto: PIB global +2,9% e exportações +17,9%, uma diferença que equivale a cerca de 10% do PIB mundial. O relatório alerta que o sistema enfrenta sua ruptura mais grave em 80 anos, com a participação do comércio sob regras da OMC caindo de 80% para 72% em quatro anos.
Santos reúne o 6º maior Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil e concentra quase 30% de todo o fluxo de comércio exterior do país em um único complexo portuário. O Porto de Santos movimentou 186 milhões de toneladas em 2026, consolidando-se como a principal porta de entrada e saída de soja, café, fertilizantes, veículos e insumos industriais brasileiros. A expansão da área terrestre do porto, autorizada em 56% em fevereiro de 2026, deve ampliar ainda mais essa posição nos próximos anos.
A mineração brasileira combina escala e vulnerabilidades em 2026. O setor responde por 4% do PIB e protagonizou alta de 55,5% nas exportações no início do ano, mas enfrenta agora o frete marítimo 40% mais caro, que torna a exportação economicamente inviável para mineradoras de menor porte. O Brasil produz 13 dos 17 minerais críticos demandados pela transição energética global, mas ainda exporta predominantemente in natura, sem beneficiamento, limitando o valor capturado por tonelada embarcada.
O Brasil abriu 57 novos mercados de exportação em 2026 para compensar a queda de 12,2% nas vendas aos EUA, mas a dependência de insumos importados ameaça a margem da produção que sustenta esses ganhos. Mais de 70% do custo de uma lavoura moderna no país vem de insumos importados, e o encarecimento do petróleo e dos fertilizantes nitrogenados, com ureia chegando a US$ 500 por tonelada, comprime a rentabilidade em toda a cadeia agropecuária. O Mercosul-UE permanece como principal aposta estratégica para o segundo semestre.