Insight
China em alta, trigo em recorde, exportação de carne fora da UE e Índia avançando no aço: cinco movimentos do comex global
China cresce 17,6% no comex, Goiás perde US$ 16,8 mi/mês com veto da UE, trigo caminha para recorde de importação e Índia fecha cota de aço com o bloco.
O comércio exterior da China cresceu 17,6% nos oito primeiros meses de 2026, alcançando 34,78 trilhões de yuans, equivalente a US$ 5,13 trilhões. As importações avançaram 22%, superando o crescimento das exportações (+14,6%) pelo sexto mês consecutivo, reflexo do fortalecimento do mercado consumidor chinês. Em agosto, as exportações de semicondutores dispararam 103,9%, e os produtos mecânicos e elétricos representaram 64% de tudo o que a China vendeu ao exterior no acumulado.
O mercado brasileiro de vinhos importados manteve trajetória de crescimento no primeiro semestre de 2026. As compras de rótulos estrangeiros somaram US$ 272,9 milhões entre janeiro e junho, alta de 12,77% ante o mesmo período de 2025, com expansão simultânea em valor (+12,8%) e em volume (+9,1%). Os espumantes importados cresceram 6,77%, chegando a US$ 20,1 milhões. O Brasil é hoje um dos mercados de maior potencial de expansão para vinhos estrangeiros no mundo.
A suspensão das exportações de produtos de origem animal do Brasil para a União Europeia impõe perdas mensuráveis ao estado com a maior concentração de frigoríficos do país. O impacto estimado para Goiás é de US$ 16,8 milhões por mês, com 90% das perdas concentradas em carne bovina. Em 2025, o estado exportou US$ 190 milhões ao bloco. A preocupação imediata é que outros países sigam o exemplo europeu, como já ocorreu com a Noruega, que adotou restrição semelhante na mesma semana.
As importações brasileiras de trigo recuaram em agosto com o avanço da colheita interna, mas o cenário de longo prazo aponta na direção oposta. O ano comercial 2025/26 encerrou com importações de 6,5 milhões de toneladas; para 2026/27, que começa em setembro, a estimativa é de 8,5 a 9 milhões de toneladas, potencial recorde histórico. A Conab projeta 7,1 milhões de toneladas, o maior volume em duas décadas, com preços pressionados pela menor safra doméstica e pelo mercado internacional mais apertado.
O texto legal do acordo de livre comércio entre a Índia e a União Europeia revela as condições de acesso do aço indiano ao bloco. A Índia terá cota anual de 1,64 milhão de toneladas, combinando a cota OMC existente de 946,6 mil toneladas com um adicional de 694,8 mil toneladas, o que representa 68,4% do volume exportado em 2025 ante 39,4% pelo regime anterior. A taxação climática do CBAM continuará incidindo sobre as exportações, mesmo dentro da cota preferencial.