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Insight

China acelera, Brasil bate recorde e frete dispara: o que está mudando no Comércio Exterior

Comércio global da China cresce 17,6%, Brasil bate recorde na balança comercial e o frete China-Brasil chega a US$ 10 mil. Veja os impactos para o Comex.

09 de setembro de 2026

China acelera, Brasil bate recorde e frete dispara: o que está mudando no Comércio Exterior

O comércio exterior da China cresceu 17,6% nos primeiros oito meses de 2026, alcançando o equivalente a US$ 5,13 trilhões. As exportações avançaram 14,6%, mas foram as importações que se destacaram, com alta de 22%, superando o ritmo das vendas pelo sexto mês consecutivo. Só em agosto, o fluxo comercial chinês cresceu 19,8%, mantendo-se acima de 4 trilhões de yuans pelo sexto mês seguido e sinalizando que a demanda doméstica chinesa segue como principal motor das trocas globais. 

Já a balança comercial brasileira encerrou agosto com a maior corrente de comércio já registrada para o mês na série histórica. Exportações de US$ 33,16 bilhões e importações de US$ 25,76 bilhões resultaram em corrente de US$ 58,9 bilhões (+10,9%) e superávit de US$ 7,4 bilhões (+23,8% ante agosto de 2025). No acumulado de janeiro a agosto, o saldo positivo chegou a US$ 55,32 bilhões (+28,2%), reforçando a trajetória para o superávit projetado de US$ 90 bilhões em 2026. 

O comércio exterior brasileiro movimentou US$ 388 bilhões de janeiro a julho de 2026, alta de 8,2%, enquanto a complexidade operacional cresce na mesma velocidade. O Comex Tech Forum 2026, realizado na última quarta-feira (2) em São Paulo com cerca de 4 mil participantes, debateu como agentes de inteligência artificial estão sendo incorporados às operações de câmbio, logística e documentação aduaneira para reduzir o trabalho manual e ampliar a capacidade de resposta das equipes. A IA deixou de ser ferramenta de apoio para se tornar infraestrutura operacional crítica no setor. 

O frete marítimo entre China e Brasil chegou a US$ 10 mil por contêiner. O valor representa 4 a 5 vezes o considerado normal e resulta da combinação do fechamento de Ormuz, tarifaços e reconfiguração global de rotas, que deslocou navios para linhas mais rentáveis. Para exportadores brasileiros, o frete ainda está estável, mas a disponibilidade de espaço nos navios tornou-se o principal gargalo operacional do momento. 

Os EUA responderam nesta terça-feira (8) à retaliação canadense com nova rodada de tarifas de 50% sobre produtos canadenses até então isentos. A escalada ocorre horas depois de o Canadá ativar suas próprias tarifas de até 50% sobre US$ 20 bilhões em mercadorias americanas, incluindo aço, móveis, cosméticos e queijos, em resposta às sobretaxas americanas impostas em 22 de agosto. A disputa, que já projeta redução de 0,3% no PIB canadense, ameaça crescer com novas medidas e possíveis proibições de importação sinalizadas por Washington.