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Insight

Brasil aumenta vendas para a União Europeia, bate recorde nas exportações de petróleo e amplia superávit

Exportações brasileiras para a União Europeia crescem 60% em setembro, enquanto petróleo bate recorde e superávit comercial supera US$ 7,7 bilhões.

07 de outubro de 2026

Brasil aumenta vendas para a União Europeia, bate recorde nas exportações de petróleo e amplia superávit

As exportações brasileiras para a União Europeia avançaram 60,1% em setembro, para US$6,95 bilhões, resultado diretamente associado ao acordo Mercosul-UE em vigor desde maio. Importações europeias recuaram 8,7%, gerando superávit de US$2,89 bilhões no mês. No acumulado de janeiro a setembro, as vendas ao bloco cresceram 20%, para US$44,15 bilhões. Na direção oposta, as exportações para a Argentina recuaram 25,2% em setembro, para US$1,36 bilhão, e caem 18,5% no acumulado do ano. 

A balança comercial brasileira fechou setembro com superávit de US$ 7,74 bilhões, mais que o dobro dos US$ 3,14 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. Exportações de US$ 34,42 bilhões (+12,9%) e importações de US$ 26,68 bilhões (-2,4%) elevaram o saldo acumulado de janeiro a setembro para US$ 62,4 bilhões (+34,8%). O MDIC revisou para baixo a projeção anual, de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões, ainda o segundo maior superávit da série histórica. 

As exportações de petróleo bruto do Brasil atingiram recorde histórico em setembro, superando uma marca que durava mais de três anos. Com 11,7 milhões de toneladas embarcadas e receita de US$ 6,49 bilhões (+77,3%), o volume supera o anterior de 11 milhões de toneladas, de março de 2023. O preço médio chegou a US$ 556 por tonelada (+24,7%), impulsionado pelo conflito no Oriente Médio. O petróleo foi o principal motor do resultado da balança comercial em setembro. 

As exportações brasileiras de café verde em setembro somaram 235,8 mil toneladas, ou 3,93 milhões de sacas de 60 kg, o maior volume em 20 meses. O desempenho consolida a retomada após o recorde de agosto, quando o Brasil exportou 4,16 milhões de sacas. A safra 2026/27, estimada em até 77,2 milhões de sacas e potencial recorde histórico, sustenta a perspectiva de aceleração dos embarques até o fim do ano.

A alta do frete marítimo acumulada nos últimos cinco meses já provoca mudanças operacionais concretas no comércio exterior brasileiro. O segmento de contêineres registrou elevação de quase 300%, resultado da combinação entre conflitos geopolíticos, encarecimento do bunker e alterações nas rotas globais que afetaram mais de 700 linhas marítimas. Operadores apontam deslocamento de cargas entre portos para reduzir custos e alertam para a perda de previsibilidade das escalas, com concentração de navios em janelas irregulares e atrasos crescentes.