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Insight

Exportações brasileiras de café: receita recua 16,5% no acumulado de janeiro a julho de 2026

Exportações brasileiras de café somaram US$7,45 bilhões FOB em jan–jul 2026, queda de 16,5% sobre 2025. Veja análise completa por NCM, destino e segmento.

24 de agosto de 2026

Exportações brasileiras de café: receita recua 16,5% no acumulado de janeiro a julho de 2026

As exportações brasileiras de café acumularam US$7,45 bilhões FOB entre janeiro e julho de 2026, retração de 16,48% sobre os US$8,92 bilhões registrados no mesmo período de 2025. A queda é explicada principalmente pelo café verde em grão (NCM 9011110), que concentra 90,82% da pauta e recuou US$1,47 bilhão. Segmentos industrializados e nichos de maior valor agregado seguiram trajetória oposta.

A receita total das exportações brasileiras de café no acumulado de janeiro a julho de 2026 atingiu US$7,45 bilhões FOB, representando retração nominal de 16,48% em comparação com os US$8,92 bilhões FOB registrados no mesmo intervalo de 2025.

A contração de US$1,47 bilhão é impulsionada pela queda nas receitas do café verde não torrado em grão, em um cenário de ajuste nas cotações internacionais e recomposição de estoques nos principais polos importadores.

Quatro dinâmicas definem o período:

Dominância do café verde em grão. A categoria de café não torrado e não descafeínado em grão (NCM 9011110) concentrou 90,82% de todo o faturamento da pauta em 2026, registrando US$6,77 bilhões FOB, montante 17,85% inferior ao apurado em 2025 (US$8,24 bilhões FOB).

Resiliência do segmento industrializado. O café solúvel (NCM 21011110) conteve sua queda a -1,24%, somando US$644,51 milhões FOB e expandindo sua participação relativa de 7,32% para 8,65%.

Expansão de nichos especializados. Segmentos de menor representatividade demonstraram dinamismo relevante: alta de +2,48% no café torrado (NCM 9012100) e avanço expressivo no café não torrado descafeínado (NCM 9011200), que atingiu US$6,70 milhões FOB partindo de base praticamente nula em 2025.

Reconfiguração geográfica. Estados Unidos (-33,95%) e Alemanha (-18,75%) apresentaram as maiores contrações em receita absoluta, enquanto Colômbia (+53,17%) e Reino Unido (+2,28%) atuaram como vetores de amortecimento.

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Análise por categoria de produto

A pauta exportadora brasileira de café compreende seis códigos NCM. A distribuição dos fluxos financeiros no acumulado de janeiro a julho de 2025 versus 2026 explicita a forte concentração do setor em produtos in natura e a estabilidade das categorias industrializadas.

Código NCMDescriçãoValor FOB 2025 (US$)Valor FOB 2026 (US$)Variação (%)Share 2025Coluna 7
9011110Café não torrado, não descafeinado, em grão8.235.468.9396.765.794.138-17,85%92,33%90,82%
21011110Café solúvel, mesmo descafeinado652.572.868644.508.873-1,24%7,32%8,65%
9012100Café torrado, não descafeinado30.710.72131.470.987+2,48%0,34%0,42%
9011200Café não torrado, descafeinado11.2656.697.193+59.351,34%0,00%0,09%
9011190Café não torrado, não descafeinado, exceto em grão305.226908.819+197,75%0,00%0,01%
9012200Café torrado, descafeinado187.768293.027+56,06%0,00%0,00%
TOTALPauta consolidada8.919.256.7877.449.673.037-16,48%100%100%

Café não torrado em grão (NCM 9011110)

A redução de US$1,47 bilhão no faturamento desta categoria é a causa raiz do desempenho negativo do setor. A perda de 1,51 ponto percentual na participação relativa reflete o menor valor médio capturado no período, acentuando a exposição da balança comercial brasileira às oscilações das cotações internacionais de commodities agrícolas.

Café solúvel (NCM 21011110)

A estabilidade das exportações de café solúvel, com variação negativa marginal de -1,24% (perda de US$8,06 milhões), demonstra a capacidade da indústria de processamento de fixar contratos de longo prazo e amortecer choques de preço da matéria-prima. O ganho de share de 7,32% para 8,65% confirma a relevância do produto na agregação de valor ao comércio exterior brasileiro.

Produtos torrados e processamentos especiais (NCM 9012100, 9011200, 9012200, 9011190)

Embora somem cerca de 0,53% da pauta total em 2026 (US$39,37 milhões FOB), essas linhas de produto exibiram expansão consistente. O salto nas exportações de café verde descafeinado (NCM 9011200), passando de US$11,26 mil para US$6,70 milhões, aponta para expansão da capacidade instalada local de processamento e atendimento a requisitos regulatórios e de consumo específico em mercados maduros.

Mercados de destino e concentração geográfica

As exportações brasileiras de café mantêm elevado nível de concentração geográfica. Os 10 principais destinos absorveram 63,38% de toda a receita gerada entre janeiro e julho de 2026 (US$4,72 bilhões FOB).

A retração generalizada nos grandes polos consumidores tradicionais reflete a desaceleração da recomposição de estoques na América do Norte e na União Europeia, enquanto novos fluxos regionais e de reexportação ganham espaço na pauta comercial brasileira.

País de DestinoValor FOB 2025 (US$)Valor FOB 2026 (US$)Variação (%)Share 2025Share 2026
Estados Unidos1.444.100.992953.822.553-33,95%16,19%12,80%
Alemanha1.152.730.101936.590.648-18,75%12,92%12,57%
Itália739.331.516730.179.935-1,24%8,29%9,80%
Bélgica554.570.253490.072.644-11,63%6,22%6,58%
Japão580.840.047410.757.200-29,28%6,51%6,51%
Turquia311.220.476312.822.780+0,51%3,49%4,20%
Rússia301.279.893257.093.433-14,67%3,38%3,45%
Espanha288.937.838233.665.317-19,13%3,24%3,14%
Reino Unido195.172.376199.628.538+2,28%2,19%2,68%
Países Baixos325.295.954197.387.556-39,32%3,65%2,65%
Demais países3.025.777.3412.727.652.433-9,85%33,92%36,62%
TOTAL8.919.256.7877.449.673.037-16,48%100%100%

Contração nos mercados consumidores tradicionais

Os Estados Unidos lideraram a redução absoluta de receita, com recuo de US$490,28 milhões (-33,95%), reduzindo sua participação nas exportações brasileiras de 16,19% para 12,80%. Movimento semelhante ocorreu na Alemanha (-18,75%), no Japão (-29,28%) e nos Países Baixos (-39,32%), evidenciando ajuste nos estoques de passagem e menor apetite por lotes em ambiente de cotações voláteis.

Resiliência no sul e leste europeu

A Itália consolidou sua posição como terceiro maior destino global do café brasileiro (US$730,18 milhões FOB), registrando queda marginal de -1,24% e elevando sua participação relativa para 9,80%. O Reino Unido apresentou crescimento de +2,28% (US$199,63 milhões), enquanto a Turquia registrou estabilidade com leve alta de +0,51% (US$312,82 milhões).

Ascensão da Colômbia e reconfiguração do fluxo regional

A Colômbia se destacou com expansão de 53,17% na receita de compras junto ao Brasil, passando de US$122,39 milhões para US$187,46 milhões FOB. Os registros sugerem que esse avanço reflete o uso do café brasileiro pela indústria processadora colombiana para atendimento de contratos de reexportação e suprimento do mercado doméstico.

Retração no mercado asiático

As vendas para a China registraram retração acentuada de -60,24%, caindo de US$211,59 milhões para US$84,13 milhões FOB, reduzindo a participação do mercado chinês de 2,37% para 1,13%.

Implicações estratégicas

A retração da receita global sinaliza a necessidade de reestruturação do posicionamento das exportações brasileiras de café, transitando de dependência acentuada de volumes in natura para maior cobertura contra volatilidade e ampliação de margem via industrialização.

Iniciar: fomento ao segmento de descafeinados. Escalar a capacidade de processamento de café não torrado e torrado descafeinado (NCMs 9011200 e 9012200), que demonstraram crescimento expressivo na janela analisada. A demanda europeia e norte-americana por especialidades funcionais oferece margens FOB superiores. Também é prioritária a penetração em hubs de reexportação e processamento, como Colômbia (+53,17%) e Turquia (+0,51%), integrando o café brasileiro às cadeias globais de valor agregado.

Interromper: exposição excessiva a contratos spot de café verde sem proteção cambial ou precificação indexada à qualidade, minimizando o impacto de quedas generalizadas como a verificada nos EUA (-33,95%).

Continuar: consolidação da liderança em café solúvel (NCM 21011110), que manteve faturamento próximo do nível anterior (US$644,51 milhões) e garantiu ganho de share na pauta exportadora (8,65% em 2026).

Mudar: substituir o modelo tradicional de fornecimento para China e Japão, que registraram quedas de -60,24% e -29,28% respectivamente, por modelos de contratos diretos com redes de torrefação e marcas locais, assegurando previsibilidade de demanda.

Perspectivas para o segundo semestre

O desempenho do comércio exterior do café brasileiro em janeiro a julho de 2026 evidencia um ciclo de reajuste de valor na pauta exportadora. A retração de 16,48% na receita FOB acumulada decorre diretamente do comportamento do café não torrado em grão (NCM 9011110), cuja perda de faturamento atingiu US$1,47 bilhão (-17,85%).

Três conclusões estruturais emergem da análise:

A elevada concentração no café verde em grão (90,82% do faturamento total em 2026) mantém a receita cambial altamente exposta às oscilações das cotações internacionais e ao ritmo de recomposição de estoques nos países importadores.

O segmento de café solúvel (NCM 21011110) demonstrou estabilidade ao limitar sua variação a -1,24% (US$644,51 milhões FOB), elevando seu share para 8,65%. Nichos de maior valor agregado, como os cafés descafeinados (NCM 9011200 e 9012200), registraram expansão percentual expressiva, sinalizando caminhos para a diversificação do portfólio exportador.

A desaceleração nos embarques para mercados tradicionais, notadamente Estados Unidos (-33,95%), Países Baixos (-39,32%), Japão (-29,28%) e Alemanha (-18,75%), foi parcialmente amortecida pela demanda em centros de processamento e reexportação, como Colômbia (+53,17%) e Turquia (+0,51%), além da estabilidade em Itália (-1,24%) e Reino Unido (+2,28%).

Para o encerramento de 2026, a competitividade do café brasileiro exigirá consolidação de políticas de mitigação de risco cambial, fortalecimento de alianças comerciais em mercados emergentes e incentivo contínuo à capacidade industrial para exportação de produtos torrados e solúveis de alta margem.

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Perguntas frequentes

Qual foi o total exportado de café pelo Brasil entre janeiro e julho de 2026?
O Brasil exportou US$7,45 bilhões FOB em café entre janeiro e julho de 2026, recuo de 16,48% em relação aos US$8,92 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
Por que as exportações de café caíram em 2026?
A queda é explicada principalmente pelo café verde em grão (NCM 9011110), que concentra mais de 90% da pauta e recuou US$1,47 bilhão no período. Os registros sugerem como fatores o ajuste nas cotações internacionais e a recomposição de estoques nos principais mercados importadores, como EUA, Alemanha e Países Baixos.
Quais segmentos de café cresceram nas exportações brasileiras em 2026?
O café torrado não descafeinado (NCM 9012100) cresceu +2,48%, o café torrado descafeinado (NCM 9012200) avançou +56,06% e o café não torrado descafeinado (NCM 9011200) registrou expansão expressiva, passando de US$11,26 mil para US$6,70 milhões FOB.
Quais países compraram mais café do Brasil em 2026?
Os três maiores destinos do café brasileiro no período foram: Estados Unidos (US$953,82 milhões), Alemanha (US$936,59 milhões) e Itália (US$730,18 milhões). A Colômbia registrou o maior crescimento proporcional entre os dez maiores compradores, com alta de +53,17%.
Qual o desempenho do café solúvel brasileiro nas exportações?
O café solúvel (NCM 21011110) somou US$644,51 milhões FOB, queda marginal de -1,24% sobre 2025. Apesar da retração, expandiu sua participação na pauta exportadora de 7,32% para 8,65%, sinalizando resiliência do segmento industrializado.
Por que as exportações para os EUA caíram tanto?
As exportações para os Estados Unidos recuaram US$490,28 milhões (-33,95%), o maior recuo absoluto entre todos os destinos. Os registros sugerem que o movimento reflete desaceleração na recomposição de estoques e menor apetite por compras de lotes commoditizados em um ambiente de cotações voláteis.
Como o mercado chinês se comportou nas importações de café brasileiro?
A China registrou retração acentuada de -60,24%, com receita caindo de US$211,59 milhões para US$84,13 milhões FOB. A participação do mercado chinês na pauta exportadora recuou de 2,37% para 1,13%.