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inteligencia-comercial · 05 de agosto de 2026

Terras raras: importância estratégica e o papel do Brasil

Reservas, produção e o novo protagonismo do Brasil na cadeia global de terras raras em 2026, com o cenário atualizado da disputa entre EUA e China.

Por Luíza Andrade · 05 de agosto de 2026

Terras raras: importância estratégica e o papel do Brasil

Os Elementos Terras Raras (ETR) são um grupo de 17 metais essenciais para ímãs de alta performance, veículos elétricos, turbinas eólicas e eletrônicos.

A China domina a produção e o refino mundial, mas o Brasil passou, em 2026, a ser reconhecido como o segundo maior detentor de reservas do planeta, atrás apenas da própria China, embora sua produção ainda seja incipiente.

Os Elementos Terras Raras (ETR) compõem um grupo de 17 metais essenciais para a fabricação de ímãs de alta performance, indispensáveis na conversão de energia em movimento.

Eles são fundamentais para veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos avançados, semicondutores e equipamentos de defesa.

Em 2025 e 2026, o tema saiu do campo técnico para o centro da disputa geopolítica entre Estados Unidos e China, e o Brasil passou a ser observado de perto por conta do tamanho de suas reservas.

Quem domina as reservas de terras raras hoje?

A China segue com a maior reserva mundial de terras raras e concentra também a maior parte da produção e do refino global.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), a China detém cerca de 70% da extração mundial e 90% do processamento desses minerais.

O que mudou o panorama em 2026 foi a posição do Brasil. Segundo o USGS, o país passou a deter a segunda maior reserva do planeta, com cerca de 21 milhões de toneladas de óxidos de terras raras, o equivalente a 23% do total global, à frente de Vietnã e Rússia.

Uma métrica mais conservadora, adotada pelo Sumário Mineral 2025 da Agência Nacional de Mineração (ANM), revisou o estoque nacional para 11,4 milhões de toneladas, com metodologia mais rigorosa de comprovação de reservas.

Apesar da divergência entre as duas métricas, ambas colocam o Brasil como um dos países mais relevantes do mundo em potencial de reservas, o que explica o interesse crescente de Estados Unidos, Reino Unido e China por projetos brasileiros do setor.

Produção mundial ainda concentrada na China

Ter a reserva não significa produzir. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o país produziu apenas 20 toneladas de terras raras em 2024, menos de 1% da produção mundial, que somou 390 mil toneladas no mesmo ano.

A produção histórica brasileira já foi maior. O pico nacional foi registrado em 2016, com 2.200 toneladas métricas, e desde então os números caíram de forma expressiva, chegando a apenas 80 toneladas métricas em 2022 e 2023.

O país tem hoje um único produtor comercial em operação, a Serra Verde, localizada em Goiás.

Em abril de 2026, a companhia americana USA Rare Earth adquiriu a Serra Verde por US$2,8 bilhões, o maior investimento dos Estados Unidos no setor de terras raras no Brasil até o momento.

Outro projeto relevante é o Colossus, da mineradora australiana Viridis, em Poços de Caldas (MG).

Em maio de 2026, a empresa inaugurou uma planta de demonstração e produziu o primeiro lote de carbonato misto de terras raras (MREC) no país.

A operação comercial plena, no entanto, só está prevista para 2028, e uma unidade de reciclagem de ímãs ligada ao projeto, a Viridion, deve entrar em operação no segundo semestre de 2027.

Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), os investimentos em produção de terras raras no Brasil entre 2026 e 2030 devem somar US$2,4 bilhões, com potencial de o país produzir entre 40 e 50 mil toneladas de óxidos de terras raras por ano até 2030, o que representaria um salto de menos de 1% para cerca de 10% da produção mundial atual.

O marco legal que falta para destravar investimentos

Mesmo com o interesse internacional, o setor ainda carece de um marco regulatório específico. A legislação brasileira de mineração é da década de 1960 e não trata das particularidades de minerais críticos e estratégicos.

Está em tramitação no Congresso Nacional o Projeto de Lei 2.780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em maio de 2026 e segue em análise no Senado Federal.

O governo brasileiro passou a condicionar o avanço das negociações de cooperação em terras raras com os Estados Unidos à aprovação desse marco legal no Senado, na avaliação de que o país precisa de previsibilidade jurídica antes de formalizar acordos estruturantes.

Até maio de 2026, um acordo entre Brasil e Estados Unidos sobre minerais críticos ainda não havia sido fechado.

A disputa entre EUA e China também muda as regras do jogo

Em outubro de 2025, a China ampliou de forma significativa seus controles de exportação de terras raras, exigindo licença para exportar equipamentos de separação e refino, ampliando o controle a terras raras médias e pesadas como hólmio, érbio, túlio, európio e itérbio, e criando exigências com efeito extraterritorial para empresas de outros países que usam insumos de origem chinesa.

Em novembro de 2025, após uma reunião entre os presidentes dos Estados Unidos e da China, o país asiático suspendeu a aplicação dessas medidas até 10 de novembro de 2026.

A suspensão reduziu a tensão imediata, mas não eliminou o risco de novas restrições no futuro, o que manteve a pressão por diversificação de fornecedores fora da China.

Por que isso importa para quem importa e exporta no Brasil

A concentração de mais de 90% do refino mundial de terras raras em um único país torna a cadeia extremamente sensível a decisões políticas isoladas.

Empresas brasileiras que dependem de ímãs de terras raras ou de componentes eletrônicos e automotivos que usam esses insumos ficam expostas a mudanças de licenciamento na origem, mesmo sem qualquer alteração na própria operação de importação.

A Logcomex.ai - Inteligência Artificial do Comércio Exterior - acompanha o histórico de embarques por NCM e por origem, o que permite identificar rapidamente a exposição de uma empresa a fornecedores concentrados em regiões sob risco regulatório, como a atual política de exportação chinesa de terras raras.

Os agentes também monitoram mudanças de tratamento administrativo e de exigência de licenciamento que afetem a classificação fiscal desses produtos, sinalizando ajustes antes que virem gargalo em um desembaraço.

Conclusão

Para empresas que avaliam diversificar fornecimento, seja importando de novos países, seja acompanhando o avanço da produção nacional de terras raras, a mesma inteligência de mercado usada para mapear exposição tarifária em outros setores estratégicos, como o químico, pode ser aplicada à cadeia de minerais críticos, dando visibilidade sobre concentração de origem e risco de fornecimento antes que ele se materialize em atraso ou ruptura de estoque.

Tenha visibilidade sobre a exposição da sua cadeia de fornecimento a minerais críticos. Acesse o Logcomex.ai.

Perguntas frequentes

O que são os Elementos Terras Raras?
São um grupo de 17 metais essenciais para a fabricação de ímãs de alta performance, usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos avançados, semicondutores e equipamentos de defesa.
Qual a posição do Brasil nas reservas mundiais de terras raras em 2026?
Segundo o USGS, o Brasil passou a deter a segunda maior reserva mundial, com cerca de 21 milhões de toneladas de óxidos de terras raras (23% do total global). O Sumário Mineral 2025 da ANM, com metodologia mais conservadora, estima o estoque nacional em 11,4 milhões de toneladas.
Por que o Brasil tem reserva grande mas produção pequena?
O país produziu apenas 20 toneladas de terras raras em 2024, menos de 1% da produção mundial. A Serra Verde, em Goiás, é hoje a única produtora comercial em operação no país, e outros projetos, como o Colossus em Poços de Caldas, ainda estão em fase de demonstração ou construção.
O que mudou nos controles de exportação da China?
Em outubro de 2025, a China ampliou os controles de exportação de terras raras, incluindo elementos médios e pesados e exigências extraterritoriais. Em novembro de 2025, essas medidas foram suspensas até 10 de novembro de 2026, após negociação entre os governos dos Estados Unidos e da China.
Existe uma lei brasileira específica para minerais críticos?
Ainda não. O Projeto de Lei 2.780/2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, foi aprovado pela Câmara dos Deputados em maio de 2026 e segue em tramitação no Senado Federal.