Comércio Exterior · 06 de fevereiro de 2025
Siderúrgicas brasileiras temem aumento de importação de aço chinês após tarifas dos EUA
As siderúrgicas brasileiras temem o aumento da importação de aço chinês após tarifas dos EUA porque as restrições ao aço chinês no mercado americano…
As medidas protecionistas adotadas pelo governo dos Estados Unidos, com destaque para a recente aplicação de tarifas adicionais de 10% sobre produtos chineses, acenderam o alerta na indústria siderúrgica brasileira.
Com as restrições ao aço chinês no mercado americano, há o receio no setor de que o excedente da produção asiática seja desviado para outros mercados, incluindo o Brasil.
As exportações crescentes de aço chinês para a América Latina já são vistas como uma ameaça, pois, segundo fabricantes da região, contribuíram para a estagnação da indústria local e aceleraram um processo de desindustrialização.
A expectativa é que o aumento desse fluxo, impulsionado pelas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, agrave uma competição desleal, pressione ainda mais os preços e comprometa a viabilidade econômica da indústria siderúrgica nacional.
A China está atenta às mudanças globais em relação às suas exportações e busca alternativas estratégicas para manter sua presença no mercado internacional.
Um exemplo disso são os crescentes investimentos chineses no Vietnã, na Indonésia e em outros países do Sudeste Asiático, muitos deles financiados por capital chinês. Essa estratégia seria uma forma de contornar barreiras comerciais e garantir competitividade global.
O setor siderúrgico brasileiro acusa o governo chinês de “inundar” o país com aço subsidiado e produzido em excesso, prejudicando a concorrência local.
No ano passado, em resposta à ofensiva chinesa ao setor, o governo brasileiro implementou cotas para importação de aço e elevou por um ano o imposto de importação para 25% sobre volumes que ultrapassem essas cotas. A medida visa mitigar a entrada massiva de aço chinês e proteger as empresas nacionais.
No entanto, apesar dessas iniciativas, o setor ainda demonstra preocupação. De acordo com o Instituto Aço Brasil, a expectativa é de que a entrada do aço chinês no mercado nacional continue crescendo em 2025, já que as medidas adotadas até agora não têm surtido o impacto esperado para conter o avanço das importações do país asiático.
De acordo com dados da plataforma NCM Intel, da Logcomex, em 2024, o volume de importações da cesta dos 11 produtos incluídos no sistema cota-tarifa cresceu 1,7% em relação a 2023.
Cerca de 89% do valor total importado das mercadorias (US$ 1,3 bilhão de US$ 1,5 bilhão) veio da China.
Em dezembro, a entidade defendeu que o sistema de cota-tarifa seja renovado em maio de 2025 com uma revisão dos patamares de alíquotas.