inteligencia-comercial · 10 de agosto de 2026
O que o Brasil importa da Rússia em 2026? Panorama atualizado e top produtos
Veja o que o Brasil importa da Rússia em 2026, os produtos que lideram a lista, a dependência de diesel russo e como diversificar fornecedores com…
o Brasil importa da Rússia principalmente diesel (gasóleo), fertilizantes (cloreto de potássio, fosfato monoamônico e ureia) e, em menor volume, urânio, alumínio, trigo e carvão mineral. Entre janeiro e julho de 2026, essas compras somaram US$6,70 bilhões, 9,2% acima do mesmo período de 2025, com o diesel russo respondendo por mais da metade do valor total importado do país.
Desde o início da guerra na Ucrânia em 2022, a relação comercial entre Brasil e Rússia mudou de forma estrutural. O país deixou de ser um fornecedor secundário e passou a ocupar posição central no abastecimento brasileiro de combustíveis e insumos agrícolas, em boa parte porque os descontos oferecidos pelos exportadores russos, que perderam o mercado europeu, tornaram o produto competitivo mesmo com o frete mais longo.
Neste artigo, atualizamos o panorama do que o Brasil importa da Rússia em 2026, com base em informações oficiais de comércio exterior referentes ao período de janeiro de 2025 a julho de 2026, e explicamos os principais riscos e oportunidades para quem depende desses insumos.
Panorama geral: quanto o Brasil importou da Rússia em 2026
Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil importou US$6,70 bilhões em mercadorias de origem russa, um crescimento de 9,2% frente aos US$6,14 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2025. O avanço não é uniforme entre categorias: enquanto o grupo de combustíveis e óleos minerais (NCM iniciados em 27) subiu 22,2% e passou a representar 65% de tudo o que o país compra da Rússia, o grupo de fertilizantes (NCM iniciados em 31) recuou 13,2% e caiu para 30,7% do total, resultado sobretudo da queda nas compras de cloreto de potássio.
Top produtos que o Brasil importa da Rússia em 2026
A lista abaixo traz os principais produtos importados da Rússia entre janeiro e julho de 2026, com o valor em dólares FOB e a variação em relação ao mesmo período de 2025.
| NCM | Produto | 2026 (US$) | Variação vs. 2025 |
|---|---|---|---|
| 2710.19.21 | Gasóleo (óleo diesel) | 3,64 bilhões | +18,2% |
| 3104.20.90 | Outros cloretos de potássio | 949,4 milhões | -26,9% |
| 3105.40.00 | Fosfato monoamônico (MAP) | 652,4 milhões | +3,5% |
| 2710.12.59 | Outras gasolinas | 538,1 milhões | +127,6% |
| 3102.10.10 | Ureia | 214,7 milhões | +51,1% |
| 3105.20.00 | Adubos NPK | 115,3 milhões | +10,1% |
| 3102.30.00 | Nitrato de amônio | 104,4 milhões | -7,1% |
| 2710.12.49 | Outras naftas | 99,0 milhões | -23,0% |
| 2844.10.00 | Urânio natural | 66,2 milhões | +102,8% |
| 1001.99.00 | Trigo (exceto para semeadura) | 63,2 milhões | item novo em 2026 |
| 2701.11.00 | Hulha antracita | 49,2 milhões | +114,4% |
| 7601.20.00 | Ligas de alumínio em formas brutas | 42,0 milhões | +326,4% |
Chama atenção o avanço de itens que não faziam parte do radar tradicional das compras russas, como o trigo, que não aparecia nas estatísticas de 2025 e já soma US$63,2 milhões em 2026, e as ligas de alumínio, que multiplicaram o valor importado em pouco mais de um ano.
O urânio natural também mais que dobrou de valor, reforçando o papel da Rússia como fornecedora de insumos para o setor nuclear brasileiro.
Diesel russo: a dependência que se tornou tema de política energética
O diesel é, disparadamente, o principal produto que o Brasil importa da Rússia, e sua trajetória nos últimos anos mudou o próprio funcionamento do mercado brasileiro de combustíveis. Antes da guerra, a Rússia respondia por menos de 1% do diesel importado pelo Brasil. Em 2026, essa participação passou a oscilar entre 63% e 75%, dependendo do mês, o que fez do produto russo uma peça relevante em cerca de 20% de todo o abastecimento nacional de diesel.
Esse crescimento foi impulsionado por descontos expressivos em relação ao petróleo Brent, que chegaram a US$35 por barril no início da guerra, recuaram para próximo de US$5 no começo de 2025 e voltaram a subir para cerca de US$25 no início de 2026, conforme as sanções ocidentais se intensificaram.
Parte relevante dessas operações passou a ser feita por uma frota de embarcações conhecida como shadow fleet, ou frota fantasma, criada para reduzir a exposição a sanções secundárias.
O ano também trouxe um episódio que expôs a fragilidade dessa dependência: em julho de 2026, a Rússia suspendeu temporariamente as exportações de diesel após uma sequência de ataques ucranianos a refinarias e centros de armazenamento, o que gerou queda de cerca de 65% nas importações brasileiras do produto entre maio e junho daquele ano e reforçou o alerta sobre o risco de concentrar o abastecimento em um único fornecedor.
O governo brasileiro, por sua vez, mantém um subsídio de R$1,12 por litro sobre o diesel, decisão também influenciada pela pressão altista vinda do conflito no Oriente Médio sobre os preços internacionais de petróleo.
Fertilizantes: a segunda maior categoria de compras russas
Mesmo com a queda de 13,2% no acumulado de 2026, os fertilizantes continuam sendo a segunda maior categoria de produtos que o Brasil importa da Rússia, atrás apenas dos combustíveis.
O cloreto de potássio, insumo essencial para a nutrição de lavouras como soja e milho, segue como o principal item do grupo, embora tenha recuado quase 27% no valor importado.
Já a ureia e o fosfato monoamônico (MAP) tiveram crescimento no período, sinal de que a demanda por insumos nitrogenados e fosfatados continua firme mesmo em um cenário de preços internacionais mais instáveis.
Essa combinação de queda em um insumo e alta em outros reforça um padrão recorrente do comércio de fertilizantes: a composição da cesta importada muda com frequência, conforme a safra, o câmbio e a disponibilidade internacional, o que exige acompanhamento próximo de quem depende desses insumos para planejar compras.
Como reduzir a exposição a um único fornecedor
Concentrar mais da metade das compras de diesel e uma parcela relevante dos fertilizantes em um único país expõe empresas brasileiras a riscos que vão muito além do preço: sanções, conflitos armados, restrições de exportação e mudanças na frota de transporte podem interromper o fornecimento de um dia para o outro, como mostrou a suspensão russa de julho de 2026.
Diante desse cenário, a Logcomex.ai, a inteligência artificial do comércio exterior, ajuda empresas a monitorar e reduzir esse tipo de exposição com:
Monitoramento por NCM em tempo real: acompanhamento de cada código, como o do diesel, do cloreto de potássio ou da ureia, com histórico de origem, volume e preço.
Mapeamento de fornecedores alternativos: identificação de outros países e exportadores capazes de suprir o mesmo insumo, essencial para reduzir a dependência de um único mercado como a Rússia.
Alertas de mudança de rota comercial: sinalização automática de movimentos como quedas abruptas de volume, novos fornecedores ganhando participação ou sinais de restrição em um país de origem.
Inteligência de preços internacionais: acompanhamento de tendências de custo por produto e por país, útil para negociar contratos em um mercado sujeito a descontos e sobretaxas geopolíticas.
Due diligence de contrapartes: verificação do histórico de exportação de fornecedores antes de fechar negócio, importante em cadeias que envolvem intermediários e frotas alternativas de transporte.
Para empresas do agronegócio, da indústria química e do setor de energia, ter essa visibilidade em uma única plataforma é o que permite agir antes que uma ruptura de fornecimento se transforme em parada de produção.
Conclusão
O comércio entre Brasil e Rússia em 2026 segue moldado pelos efeitos de mais de quatro anos de guerra na Ucrânia e por um cenário geopolítico ainda mais tenso, com o conflito no Oriente Médio pressionando os preços de energia em paralelo.
O diesel russo se tornou peça relevante do abastecimento nacional, os fertilizantes continuam essenciais para o agronegócio, e episódios como a suspensão temporária das exportações russas em julho mostram como essa dependência pode se transformar em risco operacional rapidamente.
Para empresas que compram esses insumos, entender exatamente o que vem da Rússia, em que volume e com que variação deixou de ser uma curiosidade estatística e passou a ser parte da gestão de risco da cadeia de suprimentos.
Quer identificar fornecedores alternativos, monitorar riscos de fornecimento e negociar com mais segurança em um mercado marcado por sanções e conflitos? Conheça a Logcomex.ai, a inteligência artificial do comércio exterior
Perguntas frequentes
- O que o Brasil mais importa da Rússia em 2026?
- O principal produto é o diesel (gasóleo), que responde por 54,3% do valor total importado da Rússia entre janeiro e julho de 2026, seguido por fertilizantes como cloreto de potássio, fosfato monoamônico e ureia.
- Quanto o Brasil importou da Rússia em 2026?
- Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil importou US$6,70 bilhões em produtos russos, uma alta de 9,2% em relação ao mesmo período de 2025.
- Qual a participação da Rússia nas importações de diesel do Brasil?
- A participação russa no diesel importado pelo Brasil oscilou entre 63% e 75% ao longo de 2026, chegando a representar cerca de 20% de todo o abastecimento nacional do combustível.
- Por que o Brasil compra tanto diesel da Rússia?
- O principal motivo são os descontos oferecidos pelos exportadores russos em relação ao petróleo Brent, resultado da perda do mercado europeu após as sanções decorrentes da guerra na Ucrânia. Esses descontos voltaram a se ampliar no início de 2026, à medida que as sanções ocidentais se intensificaram.
- O que aconteceu com as exportações russas de diesel em 2026?
- Em julho de 2026, a Rússia suspendeu temporariamente as exportações de diesel após ataques ucranianos a refinarias, o que reduziu em cerca de 65% as importações brasileiras do produto entre maio e junho daquele ano.
- Quais fertilizantes o Brasil importa da Rússia?
- Os principais são o cloreto de potássio, o fosfato monoamônico (MAP), a ureia, o nitrato de amônio e os adubos NPK, que combinam nitrogênio, fósforo e potássio.