inteligencia-comercial · 06 de agosto de 2026
Importação de pneus: como importar, regras e números 2026
Entenda como importar pneus no Brasil, os impostos e as medidas antidumping vigentes por país de origem, e o avanço recorde dos pneus importados em 2026.
Entre janeiro e julho de 2026, o valor importado das principais categorias cresceu 39,4% sobre o mesmo período de 2025, com Vietnã, Camboja e Indonésia ganhando espaço frente à China.
A produção de pneus no Brasil começou em 1930 e se consolidou em 1936, com a fabricação de 29 mil unidades. Hoje, a produção nacional gira em torno de 40 milhões de unidades por ano, mas a importação vem ganhando espaço rapidamente, a ponto de já dominar boa parte do mercado de reposição.
Neste artigo, você confere como funciona a importação de pneus, os impostos e as medidas antidumping vigentes, e os números mais recentes do setor.
Importação de pneus: cenário do mercado em 2026
Segundo a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), as vendas totais de pneus produzidos no Brasil recuaram 5,8% em 2025. No segmento de passeio, principal fatia do mercado, a retração foi de 5,4%, puxada por uma queda de 7,2% no mercado de reposição.
O motivo por trás dessa queda é o avanço acelerado dos pneus importados. Em 2020, os importados representavam cerca de 38% das vendas no Brasil. Em 2025, essa participação já havia saltado para 72% no mercado de reposição de pneus de passeio. Olhando para o mercado total, incluindo carga e motocicleta, a fatia da indústria nacional caiu de 73% em 2020 para 41% em 2025.
O ano de 2026 começou em ritmo ainda mais forte para as importações: nos meses de janeiro e fevereiro, o volume importado cresceu 38,8% na comparação com o mesmo período de 2025, segundo a Anip.
Diante desse cenário, a Anip vem pedindo ao governo federal medidas de proteção mais rígidas, incluindo aumento do Imposto de Importação e fiscalização mais rigorosa contra dumping e preços predatórios.
Importação de pneus: como funciona?
Para importar pneus no Brasil é necessário ter a certificação do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), que acompanha o processo desde a fabricação. Todo o detalhamento das informações solicitadas está disponível no portal do Inmetro.
Exigências para importação de pneus
Aspectos como impacto ambiental e certificação Inmetro precisam ser avaliados com cuidado antes de fechar uma importação. Para reduzir custo e prazo, é possível importar de fornecedores que já possuam produto homologado e certificado, o que agiliza os trâmites aduaneiros.
Vale lembrar que é proibido importar pneus usados no Brasil, por questões ambientais.
Impostos incidentes sobre a importação de pneus
Imposto de Importação (II)
A alíquota do Imposto de Importação para pneus de passeio e de carga passou por mudanças expressivas nos últimos anos: zerada em 2021, voltou a ser cobrada em 2023 a 5%, subiu para 16% em 2024 e a Anip pede, desde então, que o governo eleve a alíquota para até 35%, pleito que segue em avaliação no Comitê de Alterações Tarifárias (CAT) da Camex. Em maio de 2026, a Camex negou um pedido semelhante especificamente para pneus de motocicleta, mantendo a alíquota em 14,4%.
Como essas alíquotas mudam por decreto e sem periodicidade fixa, vale sempre confirmar o percentual vigente para a NCM específica do seu pneu antes de fechar uma importação.
IPI, PIS e Cofins
O IPI para pneus é de 15%. Por estarem enquadrados no regime monofásico de PIS/Cofins para autopeças (Lei nº 12.546/2011), pneus e câmaras de ar (NCM 40.11 e 40.13) recolhem um adicional sobre a alíquota geral: o PIS-Importação fica em 2,68% e a Cofins-Importação em 12,35%, percentuais superiores aos aplicados à maioria dos demais produtos importados.
ICMS
O ICMS é estadual e varia conforme o estado de destino da mercadoria, com atualizações periódicas na Secretaria da Fazenda de cada UF.
Antidumping na importação de pneus
O antidumping é uma medida de defesa comercial aplicada pelo governo para neutralizar preços artificialmente baixos praticados por exportadores estrangeiros, protegendo a indústria nacional. Diferente do que ocorria há poucos anos, hoje há medidas antidumping ativas para praticamente todas as categorias de pneus importados:
Pneus de passeio, aros 13" e 14", originários da China: direito antidumping prorrogado por até 5 anos pela Resolução Gecex nº 744/2025.
Pneus de passeio originários da Tailândia e de Taipé Chinês: direito prorrogado por até 5 anos, com suspensão imediata para Taipé Chinês, que pode ser retomada caso as importações voltem a crescer em volume considerado danoso.
Pneus de carga radiais, aros 20", 22" e 22,5", para ônibus e caminhões, originários de China, Coreia do Sul, Japão e Tailândia: medida antidumping em vigor desde 2021, com revisão de final de período iniciada em março de 2026 para avaliar sua prorrogação.
Pneus para bicicleta, originários de China, Índia e Vietnã: direito antidumping prorrogado por até 5 anos em fevereiro de 2026.
Pneus agrícolas de construção diagonal, originários da China: direito antidumping definitivo aplicado pela Resolução Gecex nº 452/2023, com valores específicos por produtor/exportador, cobrados em US$ por tonelada.
Cada categoria tem seu próprio calendário de revisão, o que torna esse tipo de defesa comercial um fator que muda com frequência e exige acompanhamento constante por parte de quem importa.
Importação de pneus no Brasil: principais números
Em 2025, o Brasil importou 692,4 mil toneladas de pneus de borracha, bandas de rodagem intercambiáveis, flaps e câmaras de ar para rodas, movimentando cerca de US$2 bilhões, segundo informações do Comex Stat. A China respondeu por 43% desse volume no ano fechado, seguida por Vietnã e Índia entre os principais fornecedores.
No primeiro semestre de 2025, Santa Catarina liderou as importações do setor, com 33% de participação e FOB de US$267,4 milhões, seguido do Paraná, com 15% e FOB de US$120,4 milhões. O porto de Itajaí segue como a principal unidade de desembaraço do país para pneumáticos.
Jan-jul/2026 vs jan-jul/2025: o avanço acelera e a origem muda
Um comparativo entre janeiro e julho de 2026 e o mesmo período de 2025, considerando as principais NCMs de pneus de passeio, ônibus/caminhão, fora-de-estrada e construção civil/mineração, mostra a importação em ritmo ainda mais forte do que o fechamento anual de 2025 sugeria.
O valor importado somou US$1,21 bilhão nos sete primeiros meses de 2026, um salto de 39,4% sobre os US$869,6 milhões do mesmo período de 2025. Em volume, o crescimento foi de 58%, para 468,6 milhões de quilos, o que empurrou o preço médio para baixo, de US$2,93/kg para US$2,59/kg.
O ponto mais relevante, porém, é a mudança na origem. A China segue como maior fornecedor, mas cresceu abaixo da média do mercado (35,3%) e viu sua participação recuar ligeiramente, de 45,8% para 44,4%.
Enquanto isso, Vietnã (+71,8%), Camboja (+196,7%) e, principalmente, Indonésia (+1.465%, saltando de US$3,4 milhões para US$53,6 milhões) dispararam. Os Estados Unidos foram o único fornecedor relevante em queda, com recuo de 31,5%.
Por categoria, pneus de ônibus e caminhão lideraram o crescimento em valor (+84,3%), à frente de pneus de passeio (+31,3%). Esse movimento reforça o ponto levantado na seção de antidumping: com a medida sobre pneus de carga radiais originários de China, Coreia do Sul, Japão e Tailândia em revisão desde março de 2026, o salto de fornecedores como Vietnã, Camboja e Indonésia é compatível com desvio de origem, quando um exportador que sofre a medida passa a embarcar por um país vizinho não sujeito ao direito antidumping.
Do lado das exportações, o Brasil vendeu cerca de 302 mil toneladas de pneus em 2025, a um preço médio de US$4,10/kg, resultando em saldo comercial positivo de US$127,5 milhões, mesmo com volume exportado menor do que o importado. Isso acontece porque o Brasil exporta produtos de maior valor agregado do que os que importa.
Como na maior parte da importação de pneus a origem é a China, o modal marítimo segue dominante, respondendo historicamente por cerca de 98% do volume transportado.
Como o Logcomex.ai ajuda quem importa ou compete com pneus importados
Com o Imposto de Importação, o antidumping e a própria participação dos importados mudando ano a ano, acompanhar manualmente cada NCM do setor de pneus virou trabalho quase em tempo integral para quem importa, distribui ou compete com produto estrangeiro.
A Logcomex.ai - A inteligência Artificial do Comércio Exterior - acompanha o histórico de importações por NCM, país de origem e estado de destino, o que permite identificar rapidamente se um fornecedor específico está sujeito a direito antidumping, qual a alíquota vigente para o seu pneu e como a participação de mercado dos importados está evoluindo no seu segmento.
O salto de Vietnã, Camboja e Indonésia como origem de pneus de carga em 2026, por exemplo, é exatamente o tipo de movimento que os agentes ajudam a identificar cedo, cruzando NCM, país e variação de volume para sinalizar um possível desvio de origem antes que ele apareça só no fechamento anual das estatísticas.
Os agentes também alertam sobre mudanças de alíquota e novas medidas de defesa comercial antes que elas afetem uma operação em andamento.
Perguntas frequentes
- Qual a alíquota de Imposto de Importação para pneus em 2026?
- Para pneus de passeio e de carga, a alíquota está em 16%, com pedido da indústria nacional para elevação a até 35% em análise na Camex. Para pneus de motocicleta, a Camex negou pedido de aumento em maio de 2026, mantendo a alíquota em 14,4%.
- Existe antidumping para pneus importados?
- Sim, há medidas antidumping ativas para pneus de passeio (China, Tailândia e Taipé Chinês), pneus de carga radiais (China, Coreia do Sul, Japão e Tailândia, em revisão desde março de 2026), pneus de bicicleta (China, Índia e Vietnã) e pneus agrícolas (China).
- Qual a participação dos pneus importados no mercado brasileiro?
- Em 2025, os importados já respondiam por 72% das vendas no mercado de reposição de pneus de passeio, ante 38% em 2020. No mercado total de pneus, a participação da indústria nacional caiu de 73% para 41% no mesmo período.
- Como evoluiu a importação de pneus em 2026?
- Entre janeiro e julho de 2026, o valor importado das principais NCMs de pneus somou US$1,21 bilhão, alta de 39,4% sobre o mesmo período de 2025. A China perdeu participação relativa (45,8% para 44,4%), enquanto Vietnã, Camboja e Indonésia registraram os maiores crescimentos entre os fornecedores.
- É possível importar pneus usados?
- Não. A importação de pneus usados é proibida no Brasil por questões ambientais.
- Qual documento é exigido para importar pneus no Brasil?
- É necessária a certificação do Inmetro, que acompanha o processo produtivo desde a origem. Importar de fornecedores já homologados agiliza os trâmites aduaneiros.