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operacoes · 22 de fevereiro de 2023

HSCode: o que é e como consultar a classificação fiscal

Entenda o que é o HSCode, a diferença para a NCM e como consultar a classificação fiscal certa com apoio de IA. Veja o guia completo.

Por Luíza Andrade · 22 de fevereiro de 2023

HSCode: o que é e como consultar a classificação fiscal

No Brasil, o HSCode forma a base da NCM, que tem 8 dígitos, e define o tratamento administrativo, os órgãos anuentes e a carga tributária de cada produto importado ou exportado.

Imagine se a cada importação a aduana definisse o enquadramento fiscal da mercadoria de forma aleatória.

O tratamento administrativo e a carga tributária mudariam sem critério, e nenhuma empresa conseguiria planejar uma operação de comércio exterior. Foi para evitar esse cenário que se criou o HSCode.

O Governo Brasileiro disponibiliza consulta gratuita à classificação fiscal pelo Portal Único Siscomex. Existem também empresas especializadas em consultoria de classificação fiscal, que ajudam o importador no dia a dia da operação.

Neste artigo, você entende o que é o HSCode, por que ele é importante e como consultar a classificação correta do seu produto.

O que significa HSCode?

HSCode significa Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, ou simplesmente Sistema Harmonizado (SH).

Ele foi elaborado pela World Customs Organization (WCO) para padronizar a classificação fiscal de produtos entre países e facilitar o comércio internacional.

Com o SH, governos e empresas de qualquer país adotante conseguem se relacionar em um ambiente seguro e previsível, com tabelas, descrições, regras interpretativas e códigos comuns.

Por que o HSCode é importante?

O HSCode define o tratamento administrativo do material importado:

  • Se existe Licença de Importação (LI) para o produto e o tipo (pré ou pós embarque)
  • A quais órgãos anuentes a mercadoria será submetida
  • Qual carga tributária será imposta ao produto importado

No aspecto governamental, o HSCode viabiliza análises estatísticas, monitoramento das transações comerciais e elaboração de regras de origem.

Ou seja, ele ajuda a definir se é permitido importar de determinado país e se existem regras de valoração para proteção da indústria nacional.

O HSCode também influencia a política interna de preços e outras análises econômicas. É por meio da classificação que se controlam acordos comerciais e cotas.

Por isso, operar em importação sem a classificação fiscal correta é arriscado. Um único erro pode levar a procedimentos aduaneiros desnecessários e ao recolhimento de impostos em desconformidade com a legislação.

Qual a diferença entre NCM e HSCode?

A diferença entre o HSCode e a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) está na quantidade de dígitos. O SH tem 6 dígitos e a NCM tem 8.

Os países do Mercosul adotaram o 7º e o 8º dígito para identificar a origem dos produtos, refinar seus controles internos e estatísticos e viabilizar acordos comerciais entre membros do bloco.

Os seis primeiros dígitos continuam iguais aos do SH, então qualquer país do mundo consegue identificar a mercadoria a partir da NCM.

Os dois sistemas coexistem e podem ser usados sem restrição, mas no Brasil sempre se utiliza a NCM.

As classificações do Sistema Harmonizado são revisadas pela OMA a cada cinco anos, aproximadamente, e a NCM passa pelo mesmo tipo de atualização.

Como é composto o HSCode?

O HSCode tem seis dígitos e ordena as mercadorias pelo grau de manufatura. Quanto maior a complexidade do processo produtivo de um item, maior a sua posição na lista de códigos.

O Sistema Harmonizado é organizado em 21 Seções e 99 Capítulos, dos quais 96 estão em uso.

O Capítulo 77 foi reservado para utilização futura, e os Capítulos 98 e 99 são reservados para uso das partes contratantes. O Brasil utiliza o Capítulo 99 para registrar operações especiais na exportação.

A estrutura do código funciona assim:

  • Primeiro e segundo dígito (Capítulo): definem a natureza geral da mercadoria, se é um produto de origem animal, vegetal etc.

  • Terceiro e quarto dígito (Posição): detalham a origem e o estado em que o produto está sendo importado.

  • Quinto e sexto dígito (Subposição): detalham ainda mais o enquadramento do material, permitindo uma classificação mais precisa.

Como descobrir o HSCode de um produto?

O ideal é reunir o time técnico do importador e do exportador para discutir as características do material, os acordos comerciais aplicáveis e as possibilidades dentro dos grupos de classificação, antes de determinar o enquadramento no HSCode.

Em alguns casos, o despachante aduaneiro também pode apoiar nesse processo.

É indispensável conhecer o produto em todos os detalhes técnicos e regulatórios para chegar a um enquadramento correto. Por isso, evite aceitar de imediato a primeira informação repassada pelo fabricante ou exportador durante a negociação.

Acompanhe também as atualizações do SH, já que elas ocorrem a cada cinco anos e podem trazer classificações mais vantajosas para o seu produto, ou até a extinção do código que sua empresa costuma utilizar.

Como a IA da Logcomex simplifica esse processo

Consultar o HSCode manualmente exige cruzar tabelas, notas explicativas e regras interpretativas, produto a produto. É um processo lento e sujeito a erro humano, principalmente quando o catálogo tem centenas de itens.

O Logcomex.ai atua como parceiro nessa etapa. Os agentes estruturam o catálogo de produtos, organizam atributos técnicos e regulatórios e padronizam as descrições que sustentam a classificação fiscal.

Antes do registro de DI ou DUIMP, os agentes também geram um checklist priorizado, apontando o que está pendente e o que representa risco de autuação.

Na prática, isso significa menos tempo em consulta manual e mais segurança na classificação, com um catálogo de produtos sempre organizado para sustentar qualquer operação de importação ou exportação.

Conclusão

Ao pensar na importância da classificação fiscal, a primeira preocupação costuma ser a multa. O enquadramento incorreto de mercadorias é passível de penalidade conforme o art. 711, inciso I, do Regulamento Aduaneiro.

Mas a multa não é o único custo. Some a isso os custos de armazenagem durante a inspeção fiscal e paradas de produção não programadas. O HSCode incorreto pode gerar prejuízo muito além da multa.

O HSCode também influencia a carga tributária paga pelo importador, mas esse não deve ser o único critério de escolha.

Nem sempre o código com o menor imposto é o correto para o seu produto.

O ponto central de uma importação sem riscos é o código que melhor descreve a mercadoria, independentemente do valor a ser pago.

Atalhos na classificação fiscal costumam levar aos piores resultados.

Perguntas frequentes

O que é HSCode?
HSCode é a sigla para Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, criado pela World Customs Organization para padronizar a classificação fiscal de produtos entre países.
Qual a diferença entre HSCode e NCM?
O HSCode tem 6 dígitos e é usado internacionalmente. A NCM tem 8 dígitos e é usada pelos países do Mercosul, que adicionaram o 7º e o 8º dígito para refinar controles internos e estatísticos. Os seis primeiros dígitos são iguais nos dois sistemas.
Como o HSCode é composto?
O HSCode tem seis dígitos organizados em capítulo, posição e subposição. O primeiro e o segundo dígito indicam o capítulo, o terceiro e o quarto indicam a posição, e o quinto e o sexto indicam a subposição, detalhando ainda mais o enquadramento do produto.
Como descobrir o HSCode de um produto?
É preciso analisar as características técnicas do produto, os acordos comerciais aplicáveis e as regras de classificação do Sistema Harmonizado. Empresas especializadas e ferramentas de inteligência artificial, como o Logcomex.ai, ajudam a estruturar essa informação e reduzir o risco de erro.
O que acontece se o HSCode estiver errado?
A classificação incorreta pode gerar multa conforme o art. 711, inciso I, do Regulamento Aduaneiro, além de custos de armazenagem durante inspeção fiscal e paradas de produção não programadas.