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operacoes · 24 de julho de 2026

Como rastrear encomenda e carga na importação internacional: guia completo

Rastrear encomenda internacional vai além do código dos Correios. Veja como rastrear container, AWB, BL e importação postal

Por Luíza Andrade · 24 de julho de 2026

Como rastrear encomenda e carga na importação internacional: guia completo

O Brasil recebeu 187,12 milhões de encomendas internacionais em 2024 — volume que gerou R$ 2,98 bilhões em arrecadação de imposto de importação, 40,7% acima do ano anterior, segundo dados da Receita Federal.

Isso significa que, em um único ano, foram registradas mais declarações de importação via remessa do que há população em países como Portugal, Bélgica e Chile somados.

O Brasil registrou 187,12 milhões de encomendas internacionais em 2024, com 91,5% tramitando pelo Programa Remessa Conforme e arrecadação de R$ 2,98 bilhões em imposto de importação — recorde histórico, segundo a Receita Federal.

O problema não é o volume. É o que acontece depois que a encomenda cruza a fronteira.

A maioria dos importadores — do pequeno empresário que compra insumo da China ao gestor de supply chain de uma indústria — sabe rastrear até o porto de destino ou até o aeroporto. O rastreamento no armador mostra "arrived at port of discharge".

O AWB indica "shipment arrived at destination". E depois disso, o status congela. "Em despacho aduaneiro" pode durar dois dias ou dois meses, e o sistema de rastreamento não diferencia — não diz se a carga caiu no canal vermelho, se há exigência documental pendente, se o NCM foi questionado ou se o importador precisa tomar alguma ação agora para evitar o perdimento da mercadoria.

A caixa-preta começa exatamente onde o rastreamento básico termina.

Este guia mapeia cada modal, cada documento-chave, cada status relevante — e o que fazer quando a carga para.

. Os 3 tipos de rastreamento de carga na importação — e por que cada um funciona diferente

Rastrear uma carga de importação não é uma ação única. É um processo diferente dependendo do modal, do armador, da companhia aérea, do operador postal e do estágio em que a mercadoria se encontra.

Quem trata todos os modais como se fossem um só perde tempo, usa a ferramenta errada e muitas vezes não encontra a informação que precisa.

Os três sistemas funcionam sobre infraestruturas completamente distintas:

Modal marítimo opera com o conceito de BL (Bill of Lading), que pode ser um MBL (emitido pelo armador) ou HBL (emitido pelo agente de cargas/NVOCC).

O rastreamento é feito diretamente no site do armador usando o número do container (formato de 4 letras + 7 dígitos, como MSCU1234567) ou o número do BL.

O sistema atualiza conforme o navio passa por portos de escala, mas o detalhe de despacho aduaneiro no Brasil não aparece nesses sistemas — precisa ser acompanhado via SISCOMEX ou Consulta ao Despacho no Portal Único do Comércio Exterior.

Modal aéreo usa o AWB (Air Waybill), composto por 11 dígitos:

os 3 primeiros identificam a companhia aérea (ex: 020 para Lufthansa Cargo, 081 para American Airlines Cargo).

O rastreamento é feito no site da companhia aérea ou em agregadores como a ferramenta de rastreamento da IATA.

A vantagem é que o trânsito aéreo é mais rápido — e o status no sistema costuma refletir a realidade com mais agilidade do que no modal marítimo.

Modal postal é o universo das encomendas de e-commerce internacional, parcelas da Shopee, Shein, AliExpress e compras de particulares.

O código de rastreamento tem 13 caracteres no padrão: 2 letras iniciais (tipo de serviço) + 9 dígitos + 2 letras do país de origem. Esse código é rastreável no site oficial dos Correios.

O problema é que após a entrada no Brasil, o sistema postal integra com o sistema aduaneiro — e os status gerados pela Receita Federal têm interpretações que não são explicadas na tela.

2. Como rastrear container marítimo: BL, MBL, CNPJ e o que cada status significa

O rastreamento marítimo tem duas camadas que confundem quem não é do setor: a camada do transporte internacional (o navio, o armador, os portos de escala) e a camada do despacho aduaneiro no Brasil (a Receita Federal, o SISCOMEX, o CE Mercante). São sistemas separados com informações separadas.

Para rastrear um container marítimo no Brasil, o importador precisa do número do BL (Bill of Lading) ou do número do container.

Com o BL, acessa o site do armador — Maersk, MSC ou CMA CGM — e obtém o histórico de posição do navio. Para acompanhar o despacho aduaneiro dentro do Brasil, o canal correto é o Portal Único do Comércio Exterior usando o CE Mercante ou o número da DI/DUIMP.]

A diferença entre MBL e HBL é relevante para quem usa agente de cargas (freight forwarder): o MBL é o documento emitido pelo armador e vincula o container ao navio. O HBL é o documento emitido pelo agente de cargas ao importador.

Para rastrear no site do armador, precisa do MBL ou do número do container — o HBL sozinho não funciona nesses sistemas.

O que cada status do armador significa na prática:

Gate in / Stuffed: container carregado no terminal de origem

Vessel departed: navio partiu do porto de carregamento

• Transshipment: troca de navio em porto intermediário (comum em rotas que passam por Algeciras, Rotterdam ou Singapura)

Arrived at port of discharge: container chegou ao porto de destino no Brasil (Santos, Paranaguá, Rio de Janeiro, etc.)

• In customs: despacho aduaneiro iniciado — daqui em diante, o rastreamento no site do armador não avança mais

• Container released: Receita Federal liberou, container pode sair do terminal

• Gate out / Empty return: container vazio devolvido ao armador

Como rastrear um container marítimo em 4 passos

Passo 1 — Identifique seu documento: Pegue o BL (Bill of Lading) enviado pelo seu agente de cargas ou pelo armador.

Se for LCL (carga consolidada), você tem um HBL — peça o MBL correspondente ao seu agente.

Passo 2 — Acesse o site do armador correto:

• Maersk: maersk.com/tracking

• MSC: msc.com/en/track-a-shipment

• CMA CGM: cma-cgm.com/ebusiness/tracking

Passo 3 — Acompanhe o despacho no Brasil: Após a chegada ao porto, acesse o Portal Único (gov.br/siscomex) com o número da DI ou DUIMP, ou consulte o status pelo CE Mercante com o número do conhecimento de embarque.

Passo 4 — Monitore a parametrização: Após o registro da DI/DUIMP, o sistema atribui automaticamente um canal de parametrização (verde, amarelo, vermelho ou cinza). O canal determina quanto tempo sua carga ficará retida e quais documentos ou inspeções serão solicitados.

Como rastrear encomenda postal e importação de e-commerce internacional

O universo das compras internacionais de pessoa física e de pequenos importadores opera quase inteiramente pelo sistema postal — e tem dinâmica própria.

O código de rastreamento no padrão dos Correios (ex: CN123456789CN para encomenda da China, ou RR para registrado) é gerado no país de origem e acompanha o objeto até a entrega no Brasil.

Quando a encomenda chega ao Brasil, ela passa pelo Centro Internacional de Distribuição de Curitiba (CIC) — principal ponto de entrada de encomendas postais — ou pelo CIC do Rio de Janeiro, dependendo da rota.

No CIC, a encomenda é registrada no sistema dos Correios e encaminhada para fiscalização aduaneira.

A partir desse ponto, o status do rastreamento passa a refletir o processamento da Receita Federal: "objeto recebido pelos Correios do Brasil", "objeto encaminhado para a fiscalização aduaneira", "objeto em despacho aduaneiro".

Para encomendas que se enquadram no Programa Remessa Conforme (plataformas credenciadas como Shopee, Shein, AliExpress e outros), o despacho tende a ser mais rápido porque a declaração já chegou pré-processada — esses objetos representaram 91,5% do total de encomendas internacionais no Brasil em 2024.

Para encomendas fora do Remessa Conforme, o processamento aduaneiro é mais demorado e a probabilidade de exigência documental ou tributação adicional é maior.

Se houver incidência de imposto de importação, o status muda para "tributado" e o importador precisa acessar o Portal "Minha Importação" (correios.com.br) para pagar a taxa antes que a encomenda seja liberada.

O que significa "em despacho aduaneiro" — e quanto tempo leva em cada canal

"Em despacho aduaneiro" é o status mais comum e o mais mal interpretado no rastreamento de importações no Brasil.

Ele não significa que há um problema. Significa que a Receita Federal está processando a declaração — verificando tributos, documentação e compatibilidade do conteúdo declarado com o NCM informado.

O que muda tudo é o canal de parametrização atribuído pelo SISCOMEX. Esse canal é definido por algoritmos de risco que consideram o histórico do importador, a origem da mercadoria, o NCM, o valor declarado e o perfil da operação.

O sistema de parametrização da Receita Federal define quatro canais para o despacho aduaneiro de importação no Brasil.

Canal verde libera sem conferência documental ou física, com prazo de 1 a 3 dias úteis.

Canal amarelo exige análise documental sem inspeção física, em 3 a 5 dias úteis.

Canal vermelho exige inspeção física da mercadoria, com prazo de 15 a 30 dias.

Canal cinza indica suspeita de fraude ou subfaturamento e pode durar de 60 a 180 dias, com procedimento especial de controle aduaneiro.

A base legal para o prazo máximo de 8 dias nos canais verde, amarelo e vermelho é o art. 4º do Decreto Federal nº 70.235/72.

Quando a encomenda para: os 5 motivos mais comuns de retenção alfandegária

Retenção não é sinônimo de irregularidade — mas ignorar os sinais custa caro. Os 5 motivos que concentram a maior parte das retenções no Brasil:

  1. Erro ou inconsistência na classificação NCM: O NCM errado é o ponto de partida para uma cadeia de problemas: alíquota de imposto incorreta, ausência de licença de órgão anuente que seria obrigatória, descrição de mercadoria incompatível. O sistema cruza automaticamente o NCM declarado com o valor, a origem e a descrição — qualquer desvio estatístico dispara revisão.

  2. Documentação incompleta ou com divergências Fatura comercial com valor diferente do declarado, ausência de certificado de origem em mercadorias com alíquota preferencial, packing list com descrições genéricas. Qualquer divergência entre o documento e a declaração registrada é motivo de canal amarelo no mínimo.

  3. Subfaturamento ou valor declarado fora da faixa de mercado: A Receita Federal usa bases de preço de referência (MILA — Método do Índice de Leite e Acúcar, ou comparação com importações similares). Valores declarados muito abaixo do padrão de mercado para o NCM e origem acionam canal cinza automaticamente.

  4. Ausência de licença de órgão anuente (ANVISA, MAPA, IBAMA, Exército) Alimentos, cosméticos, medicamentos, produtos químicos, equipamentos eletrônicos, produtos de origem animal e vegetal — todos exigem licença de importação de órgão anuente antes ou durante o despacho. A ausência dessas licenças paralisa o processo até regularização.

  5. Risco sanitário, ambiental ou fitossanitário: Produtos que apresentam risco à saúde, ao meio ambiente ou à agropecuária nacional podem ser retidos para análise técnica independentemente do canal atribuído. Isso é comum em insumos agrícolas, substâncias químicas e alimentos de origem animal.

Os cinco motivos mais comuns de retenção alfandegária de importações no Brasil são:

(1) classificação NCM incorreta

(2) documentação com divergências

(3) subfaturamento ou valor declarado fora da faixa de referência de mercado

(4) ausência de licença de órgão anuente como ANVISA, MAPA ou IBAMA, e

(5) risco sanitário ou ambiental identificado na inspeção.

A retenção por subfaturamento pode levar ao canal cinza, com prazo de análise de 60 a 180 dias — e, em casos extremos, à pena de perdimento da mercadoria.

O que fazer quando sua encomenda fica retida

Prazo para agir: A legislação aduaneira considera abandonada a mercadoria que permanecer em recinto alfandegado por 90 dias sem que o despacho de importação seja iniciado (Decreto nº 6.759/2009, art. 647).

Se o despacho for iniciado mas interrompido por ação ou omissão do importador, o prazo é de 60 dias para retomada. Após esse prazo, a Receita Federal pode aplicar a pena de perdimento — e a mercadoria é leiloada ou destruída.

Passos imediatos:

1. Acesse o SISCOMEX ou consulte seu despachante aduaneiro para identificar se há exigência formal pendente

2. Se houver exigência documental, responda dentro do prazo legal (geralmente 8 dias)

3. Se a retenção for por suspeita de subfaturamento (canal cinza), acione imediatamente assessoria jurídica especializada em direito aduaneiro

4. Guarde todos os documentos originais da operação: fatura, packing list, certificados, comprovantes de pagamento ao fornecedor

Não espere: mercadoria retida gera custo de armazenagem no recinto alfandegado desde o primeiro dia. Em terminais de Santos, por exemplo, os custos de sobreestadia (demurrage e storage) se acumulam diariamente.

Como IA ajuda a monitorar cargas e antever problemas antes da chegada

O rastreamento manual tem um limite claro: ele é reativo. O importador entra no site do armador, do aeroporto ou dos Correios para ver o status atual — e só descobre o problema depois que ele já aconteceu.

Uma retenção no canal vermelho, uma exigência documental com prazo de 8 dias, um desvio de rota por congestionamento no porto — todas essas situações chegam ao importador com atraso quando o monitoramento é feito manualmente.

Ferramentas de inteligência artificial para rastreamento de cargas de importação operam em tempo real sobre múltiplas fontes simultâneas — dados do armador, CE Mercante, SISCOMEX e histórico de parametrização por NCM e origem.

A diferença em relação ao rastreamento manual não é apenas velocidade: é a capacidade de cruzar o histórico de um NCM específico com a taxa de retenção por canal, antecipando o risco antes do registro da DI. Isso transforma o monitoramento de uma atividade reativa em uma atividade preventiva.

A abordagem com IA muda a lógica: em vez de verificar o status depois que a carga chegou, o sistema monitora continuamente e emite alertas quando o status muda — e cruza o NCM e a origem da carga com o histórico de parametrização para estimar o risco de retenção antes mesmo do registro da declaração.

Isso permite ao importador preparar documentação preventivamente, acionar o despachante no momento certo e evitar custos de armazenagem por imprevisão

Conclusão

Este guia cobriu os três modais, os quatro canais de parametrização, os status de alfândega com seus prazos reais e os cinco principais motivos de retenção.

Você agora sabe o que "em despacho aduaneiro" significa na prática — e o que fazer quando o status congela.

O que não está aqui: o monitoramento em tempo real do status do seu embarque específico, alertas automáticos quando o canal de parametrização muda, e a análise de risco de retenção com base no histórico do NCM e da origem da sua carga — cruzado com dados de operações similares no Brasil.

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Perguntas frequentes

Como rastrear encomenda internacional parada na alfândega?
Acesse rastreamento.correios.com.br com o código de 13 dígitos (encomendas postais) ou o Portal Único do Comércio Exterior para cargas formais. O status "em despacho aduaneiro" confirma que a Receita Federal está processando — mas não informa o canal atribuído. Para saber o canal (verde, amarelo, vermelho ou cinza), consulte o SISCOMEX ou acesse diretamente com o número da DI/DUIMP pelo sistema da Receita Federal.
Quanto tempo demora o despacho aduaneiro no Brasil?
Depende do canal de parametrização atribuído pela Receita Federal. Canal verde: 1 a 3 dias úteis, sem conferência. Canal amarelo: 3 a 5 dias úteis, com análise documental. Canal vermelho: 15 a 30 dias, com inspeção física. Canal cinza: 60 a 180 dias, com procedimento especial de controle aduaneiro. A base legal define prazo máximo de 8 dias para os canais verde, amarelo e vermelho — mas na prática o canal cinza não tem prazo fixo regulamentado.
O que significa "em despacho aduaneiro" nos Correios?
Significa que a encomenda chegou ao Brasil e está sendo processada pela Receita Federal no Centro Internacional de Distribuição. Nesse estágio, o sistema aduaneiro verifica o valor declarado, o tipo de mercadoria, os tributos devidos e o enquadramento fiscal. Se houver incidência de imposto, o próximo status será "tributado" — e o importador precisa pagar antes da liberação via Portal Minha Importação.
Como rastrear container marítimo pelo número do BL?
Acesse o site do armador responsável pelo transporte. Para Maersk: maersk.com/tracking. Para MSC: msc.com/en/track-a-shipment. Para CMA CGM: cma-cgm.com/ebusiness/tracking. Insira o número do MBL (Master Bill of Lading) ou o número do container (4 letras + 7 dígitos). Para cargas LCL (consolidadas), peça o MBL ao seu agente de cargas — o HBL emitido pelo agente não é rastreável nos sistemas dos armadores.
Qual é o prazo máximo para retirar uma encomenda retida na alfândega?
O Decreto nº 6.759/2009 estabelece 90 dias a contar da descarga da mercadoria em zona primária para que o despacho de importação seja iniciado. Se o despacho começar mas for interrompido por ação ou omissão do importador, o prazo cai para 60 dias. Após esses prazos, a mercadoria pode ser declarada abandonada e sujeita a pena de perdimento — o importador perde a mercadoria sem direito à devolução