Indústria Farmacêutica · 21 de março de 2025
Como o capital estrangeiro impacta a indústria farmacêutica brasileira
Um importante fundo soberano de Cingapura acaba de adquirir participação minoritária em uma das maiores farmacêuticas do Brasil, movimento que sinaliza o…
Um importante fundo soberano de Cingapura acaba de adquirir participação minoritária em uma das maiores farmacêuticas do Brasil, movimento que sinaliza o potencial de crescimento do setor no país.
O investimento, estimado em cerca de R$1 bilhão, ocorre em um momento particularmente desafiador para a indústria farmacêutica nacional.
Um relatório recentemente publicado pela Oxfam expõe uma realidade preocupante: o Brasil importa 90% da matéria-prima necessária para a fabricação de vacinas e medicamentos.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi), essa dependência pode chegar a 95%, evidenciando a fragilidade da cadeia produtiva nacional.
A dificuldade brasileira para produzir seus próprios imunizantes está relacionada a múltiplos fatores. O financiamento instável para ciência, tecnologia e inovação tem sido um obstáculo persistente.
Desde 2013, os investimentos nacionais em pesquisa e desenvolvimento vêm diminuindo em valores absolutos, com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) enfrentando severas restrições orçamentárias na última década.
A baixa articulação entre academia e indústria, somada à escassez de empresas farmoquímicas, agrava o cenário. Enquanto a China conta com mais de mil fábricas produtoras de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs), o Brasil possui apenas 15 unidades, concentrando a produção de vacinas em apenas duas instituições: Fiocruz e Instituto Butantã.
Os números do comércio exterior refletem essa dependência. Em 2024, o Brasil já importou US$921,5 milhões em insumos químicos e farmacêuticos, registrando crescimento de 15% em relação ao ano anterior. Os polipeptídeos destacam-se com aumento expressivo de 78% no valor importado.
O programa Nova Indústria Brasil estabelece como meta atingir 70% de autossuficiência na produção de medicamentos, vacinas e insumos até 2033. A Estratégia Nacional para o Desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde prevê investimentos de R$42 bilhões para expandir a produção nacional.
O aporte de capital estrangeiro pode representar uma oportunidade para acelerar esse processo, trazendo não apenas recursos financeiros, mas também know-how e conexões globais que permitam ao Brasil reduzir sua dependência externa e fortalecer sua posição no mercado farmacêutico internacional.